Mostrando postagens com marcador o diario de uma otaria. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador o diario de uma otaria. Mostrar todas as postagens

20 de julho de 2011

O diario de uma otaria - capitulo 18

28 de dezembro de 2010

O dia estava nublado. O natal não tinha sido dos melhores. Sentia tanta falta de Luke. É, Luke... o que eu poderia falar dele? Um cara com problemas, que tem um sorriso lindo... e que ninguém deu o verdadeiro valor que ele merece. Minha cabeça pensava nisso quando eu estava sentada no sofá da casa da minha vó, tomando um pouco de vinho, na véspera de natal. Eu ficava a toda hora olhando meu celular, como se alguma mensagem pudesse chegar, porém ele estava meio  incomunicável, e nunca fiquei tanto tempo sem falar com ele - conversávamos o dia todo, seja por mensagem, seja por msn. E, particularmente, depois de uma mensagem, no dia 25, ao final do dia, ele conseguiu me fazer sorrir de um jeito que eu não sorria fazia um bom tempo. Ele conseguia me fazer sentir bem sem fazer esforço algum. Era tão bom, eu me sentia... livre. Era estranho. Eu não queria me envolver com ninguém no momento, não queria nenhum sentimento que pudesse levar sofrer, como das outras vezes. E, o mais estranho ainda, era eu sentir algo por alguém que só via por webcam e conversava por msn. Nada contra, mas nunca acreditei muito nesse negócio de namoro à distancia, paixão à distância... era tudo, digamos, novo. Ele dizia coisas que eu daria tudo pra ouvir de um cara. Me fazia sentir uma mulher que tinha chances de um cara gostar de mim de verdade... porque, depois de Rodrigo, eu duvidava que algum cara poderia gostar de mim mesmo, sem querer se aproveitar de mim. Mas como eu disse, era difícil acreditar em palavras escritas por msn... já havia acreditado uma vez, e pra mim, fora o suficiente para quebrar a cara. Mas, numa de nossas conversas, Luke havia dito que iria me conquistar, e namorar comigo. Eu, sorrindo e brincando disse "estou apostando pra ver se vai conseguir".
Mas, como eu dizia, o dia estava nublado, havia chovido o dia anterior inteiro, e ainda estava abafado. Ah, o verão. Eu odeio calor. Mas foda-se, era férias e eu queria aproveitar o máximo delas. Seria a melhor férias de minha vida. Como havia acordado meio cedo... eu resolvi caminhar um pouco, aproveitar que não chovia. E assim eu fiz. Mas por um ato impulsivo, e no local que eu estava - perto do trabalho de Luke - tomei coragem, e mandei uma mensagem falando que eu estava do lado dele.
Esperei ele sair num local meio afastado, meio sem movimento - ou quase. O sol estava aparecendo aos poucos por entre as nuvens. Estava começando a ficar calor novamente. Quando ele apareceu, nos abraçamos, e inconsciente, coloquei minha cabeça em sua curva do pescoço. O cheiro dele era tão bom. Era um cheiro diferente, que me acalmava.
- Então... você é de verdade! - Ele disse, feliz, me cutucando. Dei risada de sua reação.
- Sim, eu sou. - Respondi ainda rindo, com ele ainda me cutucando.
- Sabia que me irrita pessoas que ficam me cutucaaaando - eu disse, de maneira divertida, cutucando ele também. Ele riu. Seu sorriso...
E assim foi. Ficamos conversando durante um bom tempo. A conversa fluía como se fôssemos amigos há tanto tempo... e assunto que não faltava. Isso me fazia sentir tão bem. E por um momento, parecia que tudo o que havia acontecido naquele ano, estava ficando para trás como uma lembrança muito ruim. Como um pesadelo que a gente acorda, ofegante. E percebe que, se nada de ruim tivesse acontecido, as coisas boas não apareciam. Era isso que eu sentia, mas não sabia que era exatamente isso.
Conversa vai, conversa vem, e o tempo também passava. Eu precisava ir. Ele se levantou e eu também.
- Bom, preciso ir. Tenho coisas pra fazer hoje...
Ele me olhou fixamente nos meus olhos, e colocou as mãos em minha cintura. Um pequeno arrepiou surgiu quando ele fez isso. Minhas mãos que levemente tremiam, se apoiaram no seu peitoral. Pois é, essa era eu nervosa. Não sabia se queria ficar com ele. Não sabia se, depois dessa vez, ele iria querer ficar comigo de novo. Eu estava com medo de que tudo se repetisse. E com vergonha. E encanada com coisas idiotas. "E se ele não gostasse do jeito que eu beijo...?". Na primeira tentativa que ele foi me beijar, eu virei o rosto, com vergonha. Não sabia se isso era o correto, mas ao mesmo tempo, eu queria ficar com ele. Ele me olhou sorrindo, e eu senti que suas mãos também estavam tremendo e que ele estava nervoso. Ri de nervoso. Mas que merda.
Suas mãos rumaram para o meu rosto, o segurando de leve, e a ultima coisa que pensei foi "que se foda todas as inseguranças" e deixei que ele me beijasse. E se não tivesse feito isso, eu me arrependeria com certeza. Foi o melhor beijo, de longe. Era como se houve um encaixe, e o ritmo perfeitamente controlado.
Depois disso, passei a pensar que poderia ter sido o destino que tivesse colocado Luke em minha vida. Por que afinal, com quantos caras, da sua cidade, você topa no twitter, e depois descobre que ele é uma é pessoa maravilhosa fora de redes sociais?

- continua -

13 de julho de 2011

O diario de uma otaria - capitulo 17

17 de dezembro 2010

Luke. Era isso que a minha cabeça pensava dia e noite. Aquele cara que eu conheci via twitter e que passava metade do meu dia - ou o dia todo? - conversando com ele. A cada coisas simples, era uma descoberta reconfortante para a minha pessoa, para a minha alma. Era como se cada pedaço quebrado fosse sido colado, costurado. Como se a dor fosse sendo amenizada. Eu não estava bem. Ele não estava bem. Ele me ouvia - e muito - me ajudava como podia. E no final do dia que eu tinha acordado mal, eu me sentia bem. Era acordada de madrugada por uma mensagem de boa noite. E assim a nossas vidas foram seguindo, como se fosse um destino traçado? Em meio de tantos followers, você conhecer um que é da sua cidade. Passar a ser amiga, ele ser a razão por você ficar horas online. Até as coisas mais banais, eu precisava contar para ele. E assim foi sendo. Eu me sentia sozinha, como se a qualquer momento eu fosse desabar do penhasco que eu havia conseguido subir com esforço, e, chegando ao topo, eu escorreguei, me machuquei eu comecei a cair. Mas, parece que uma mão surgiu. Ou duas. Para me segurar e me fazer sentir que eu ficaria por cima lá, ainda. É triste quando você precisa de alguém, e olha para atrás e não vê ninguém. É triste, é frio, vazio. Você se abraça tentando conter o frio, e se reaquecer, mas... você está com medo e sozinha. Então, desiste de olhar pra trás e segue a vida de cabeça baixa, abraçada a si mesma. Você se sente invisível, como se não fosse real para ninguém. É estranho... todo mundo parece desaparecer quando você mais precisa de alguém. E, acho que por essa razão, eu acabei me apoiando toda nele. Me apoiava porque precisava de um ombro para chorar sobre Rodrigo, precisava de um ouvido para me ouvir reclamar, contar aquelas piadas sem graças, para me ouvir brincar. Precisava de um par de lábios para conseguir fazer alguém feliz. Eu queria fazer alguém feliz. Queria me sentir útil para alguma coisa, qualquer coisa. Procurava ouvir ele sempre, e de vez ou outra, tentava animá-lo. Acreditar que tudo daria certo. Eu precisava acreditar nisso também, e afirmando para Luke, acho que ficava mais fácil de acreditar que um dia as coisas melhorariam. Que era mais uma noite fria de pesadelos, onde tudo parecia estar numa bagunça. 
Posso ter me afastado de terceiros, mas não foi porque eu quis. Na verdade, terceiros se afastaram de mim, e eu não fiz nada para reverter essa situação. Eu sentia falta mas não sentia vontade de mudar isso. Eu me preocupava demais com o bem-estar de todos e... quando mais eu precisa de companhia, todos viraram as costas, então, pra que mudar essa situação? Que tipo de amizade é essa, na qual você perdoa, ajuda e quando precisa, olha pro lado e está sozinha? Ou praticamente sozinha? Por essas razões, ficar ao lado de Luke era reconfortante, mesmo que virtualmente, ele prometeu nunca sumir. Eu rezava todos os dias para que, quando eu saísse na rua, eu esbarrasse com ele acidentalmente. Eu queria abraçá-lo. Sentia uma coisa estranha quando ele não estava online... Até o momento, depois um certo tempo, ele afirmou estar afim de mim, que precisava, pelo menos, ficar comigo uma vez. Precisava me sentir e saber que eu era real. Eu tentava não acreditar em falsas promessas, afinal, eu não conhecia ele. Mas algo me fazia acreditar, e algo também me fazia ter a curiosidade de saber como seria. Nesse momento, imaginei suas duas mãos segurando meu rosto e ele olhando em meus olhos, sorrindo. Algo estranho. Uma vontade estranha. Um desconforto. Eu precisava senti-lo. Eu precisava beijá-lo. E num ato sem pensar, prometi que logo me veria... e esse logo, mal sabia ele que seria daqui uns poucos dias, num ato impulsivo da minha pessoa.

- continua -

28 de junho de 2011

O diario de uma otaria - capitulo 16

22 de novembro de 2010

Eu estava sentada, num lugar que quase ninguém parecia, sozinha, olhando o sol se pôr. Abraçada aos meus joelhos, e pensando. Pensando. Pensando. Pensando na minha vida, no que eu tinha feito, nas decisões que tinha tomado, parecia que algumas foram tão erradas, mas outras, pareciam tão certas. Me arrependendo tanto de certas coisas que poderiam ser evitadas. Olhando do alto, o movimento de carros, na marginal. Pensei em mudanças. Pensei em tudo o que falaram pra mim. Pensei em quantas vezes as pessoas me magoaram, e quantas vezes as mesmas pessoas continuam a me magoar. Parecem que sentem prazer em fazer isso,  parece que elas querem se sair sempre em primeiro, que humilhando, elas se fortalecem. Havia uma brisa leve, que me fazia arrepiar e me encolher abraçando ainda mais forte meus joelhos. Gustavo me contou que Daniel, frequentemente falava mal de mim. Eu claro, não me importava, até o momento em que ele tocou em um ponto fraco. É fácil as pessoas te criticarem, falarem mal do seu gosto musical, do que você escreve, mas... elas não sabem o porquê, de às vezes você fazer isso. A maioria das pessoas, te conhecem superficialmente, o básico. Já idealizei tanto minha vida, já pensei em ir pra Londres e conhecer os caras da banda que eu curto. Já pensei em sair correndo, deixar tudo para trás,pois meu já estava cansada do tempo dessa cidade, já estava cansada dos mesmo pores-do-sol, já pensei em ir pra Orlando, e começar uma vida lá, onde ninguém me conhecia, já quis largar mão de tudo, desistir. Mas nunca, nunca, desisti. E graças à isso, acabei sempre sendo recompensada. Faço a faculdade que quero, tenho o Luke, que é um companheiro maravilhoso, tenho meus pais que, apesar das diferenças, não trocaria por nada, minha irmã que apesar da diferença de idade, a gente se dá bem, tenho outras pessoas ao meu redor, que ao contrário das "odiadoras", querem somente o meu bem. E eu agradeço por elas. Por ter elas. Por elas me amarem do jeito que sou. Se eu ouço McFLY, e tenho um blog que escrevo histórias, qual é o problema? Isso não é sinal de maturidade. Você não deve, nem pode julgar alguém por gostos ou algo que ela faz por lazer. Elas não carregam o seu fardo para falarem que sua vida é idealizada. Que você é "menininha McFLY e que deveria parar de ser idiota e escrever coisas no blog". Sempre sonhei em ser jornalista, e quem sabe um dia, ter um livro. Eu amo escrever. Amo. Acredito que as pessoas deveriam olhar mais pra dentro de si, ao invés de de saírem falando mal de terceiros. 
Meu olhar estava longe. Ri sozinha ao perceber que isso não importava, que sua opinião de merda não faria mesmo a diferença na minha vida. Você já é passado. Um falso e ridículo, que vive pensando que a vida deve ser do jeito que você quer. Não sou uma marionete, você não controla meus pensamentos e minhas vontades, na verdade, você não pode querer controlar a vida de ninguém, já que você não sabe nem controlar a sua. E de pessoas como você, eu tenho nojo. Nojo. 
Na verdade, eu precisava mesmo precisava era refletir e saber aonde eu estava tão errada de fazer isso. O melhor de tudo, era Daniel vir falando que era meu amigo e agindo como se não soubesse de nada. Falsidade. Por que algumas pessoas simplesmente são seguem sua vida  e me deixa em paz? Levantei, depois de um tempo... Batia na minha calça, afim de tirar a poeira, e segui meu caminho. Não preciso de gente assim na minha vida para continuar. Elas só sabem o meu nome, e não conhecem a minha essência.

- continua -

27 de junho de 2011

O diario de uma otaria - capitulo 15

09 de outubro de 2010

Uma otária, é isso que sou. Depois de tudo que passei com Jake, eu pensei que tivesse aprendido algo. Mas não, cometi a mesma merda de erro de novo.
Rodrigo terminou aquilo-que-nem-começamos, comigo, porém, num sábado a noite, ele resolveu me ligar.
"Julie"
"Ro..drigo?"
"Você não sabe como eu sinto tua falta..."
"Ah, não... Me diz, por que você está fazendo isso... de novo?"
"Eu sinto falta do seu cheiro e do seu abraço..."
"Você só quer me iludir. Não deveria nem te atender depois das coisas que me disse naquela festa... Aliás, foi você quem me levou ao hospital?"
"Também, um tal de Jake não queria que eu encostasse a mão em você."
"Ele é outro idiota."
"Porém, você praticamente desmoronou em cima de mim. E, sei lá, me senti na obrigação de te levar lá."
"Não, você não tem nenhuma obrigação em qualquer assunto relacionado a mim. E nem o Jake."
"Ele parece te considerar muito... ou pelo menos, reconhece o valor que você tem." Rodrigo suspirou "Ele não saiu do seu lado."
Aquilo foi meio que um choque de realidade, mesmo porque eu não havia visto Jake lá no hospital quando acordei. Mas eu não queria contato com ele. E se ele não veio me procurar depois, é porque não queria contato também. Então não se passou por isso. E, de verdade, nem sinto mais sua falta. E se fosse ele no meu lugar, no dia dos remédios, eu faria o mesmo, pela amizade.
"Ok, Rodrigo, me diga o que você quer logo, tenho mais coisas pra fazer do que ficar enrolando no celular".
"Que eu estou sentindo sua falta"
"Isso não vai mudar nada. Nada do que disse, ou fez"
"Julie..."
"Não adianta. De que adianta, um dia falar tudo o que disse, coisas que realmente me machucaram, e agora vir atrás? Você não quer nada comigo, além de ir pra cama. Essa é a verdade. Você gosta de Anne. Então, não me procure mais".
Nem esperei ele responder, acabei desligando. A verdade, era isso mesmo. Ele queria se aproveitar de mim, tentando atingir Anne, coisa que iria dar certo.
E desde então, ele sumiu. Desapareceu. Mesmo que estivesse doendo, estava sendo o certo.
Dr. Romeu não me enviou para um clínica de reabilitação. Não sei porque, mas acho que ele acredita em mim ou na minha capacidade. Acho que ele acredita que eu tenho força de vontade suficiente pra sair dessa. Eu realmente quero, mas toda a vez que acho que vou fazer as coisas certas, eu acabo errando e tornando tudo mil vezes pior.
Por fim, resolvi entrar no Twitter e desperdiçar uma tarde inteira lá. Por coincidência ou não, aquele cara que ofereceu uma massagem, estava online e veio puxando conversa comigo. Passamos a tarde conversando... e a noite também. Por fim, pedi o msn dele, afinal, ele parecia ser legal. Eu sentia falta de conversar com alguém, me abrir, ou ter um ombro pra chorar. Eu não aguentava mais toda essa pressão. Gustavo e eu nos aproximamos muito. Pelo menos, ele fazia parte da diversão dos meus dias. E e ouvia quando eu precisava falar, e me consolava quando eu  precisava chorar. Anne também me ouvia muito, mas eu sentia falta de ter alguém para me ajudar ali, do meu lado. Eu me sentia tão sozinha, mesmo cercada de gente. Uma sobrevivente. Mas enfim, descobri que Luke, o cara do twitter, era legal, e que por coincidência mora em minha cidade. Ele me passava uma confiança que, eu não sabia explicar, mas eu me sentia em paz conversando com ele, mesmo que somente por msn. Me ouvia reclamando da vida, tentava me ajudar. Mas ele já ajudava só de ouvir, ou de falar qualquer besteira, me fazendo dar algumas risadas. E depois de um tempo, toda a vez que eu ficasse online, eu mal sabia que a primeira pessoa que eu passaria a procurar online, seria ele, rezando para que ele estive ou que aparecesse logo.

- continua -

19 de junho de 2011

O diario de uma otaria - capitulo 14

20 de setembro de 2010

"- Não dá mais Julie, não consigo ficar com você, não consigo te beijar. Eu gosto de você, estou gostando muito, mas parece que você já te se entregou de corpo e alma pra esse relacionamento. Eu gosto de outra também. Julie, não me leve a mal, não quero fazer você sofrer. Acho melhor a gente continuar na amizade. Eu vou estar sempre aqui, sempre que precisar... você sabe. Você é a mulher da vida de qualquer homem, mas não é pra ser agora. Não é. Acredito que mais pra frente a gente vá se encontrar e tudo dará certo, se você me esperar... Julie, é para o seu bem. Se cuida. - ele disse e se foi.
Parecia que eu estava correndo num vazio, para uma luz branca, enquanto a escuridão tentava me arrastar para baixo. Eu gritava mas não ouvia. Eu tentava segurar a mão de Rodrigo, mas ele estava desaparecendo. Um acidente de carro numa estrada. Soltei um grito ensurdecedor, mas mesmo assim, ninguém ouvia. Eu estava sozinha. Inteiramente sozinha. Com medo. Abandonada. E a luz branca se aproximava cegando minha vista, não... não...."
Acordei, ofegante, numa cama de hospital com aquele branco das paredes e luzes me cegando. Aquele cheiro de limpeza queimava minha narinas. No primeiro instante, demorei para assimilar aonde estava. Não conseguia me lembrar nem o porque estava ali. Na  verdade, minha cabeça doía tanto, mas tanto, que eu sequer lembrava do meu dia anterior. Quando abri meus olhos, minha mãe estava sentada numa cadeira, me olhando com cara de desaprovação. Meu psiquiatra estava ao seu lado. Ops, acho que fiz merda...
- Ela acordou - Dr. Romeu disse, se aproximando de mim - JULIE! O que aconteceu? Por que isso de novo?
Não conseguia falar, não me lembrava de uma explicação lógica. 
- Você estava tão bem, tão... "curada". Por que dessa recaída?
- Ela nunca vai tomar jeito - a voz fria de minha mãe ecoou pela sala. Aquilo me fez sentir a pior pessoa do universo.
Pigarreei. 
- Hum... não me lembro. Não sei o porque que isso aconteceu, como vim parar aqui. Mal me lembro de ter saído de casa.
- Você saiu... num sábado. Estamos numa segunda. - Minha mãe disse, ainda com voz de desaprovação. Que diabos eu tinha feito?
Respirei fundo, e fechei os olhos. Meu corpo doía.  Fazia dois dias que eu tinha sumido, e como não me lembrava? 
- Recebemos a informação que você estava internada aqui, ontem a tarde. Eles tiveram que fazer uma lavagem estomacal. Falaram que, entre as substâncias que você tinha ingerido, além de bebidas, tinha calmantes. MUITOS. - Dr. Romeu disse - Internaram você aqui, um menino, aproximadamente da sua idade, alegando que você tinha dito que não suportava mais a vida te sacanear, e que estava fazendo uma escolha, e que se você morresse, ninguém iria sentir sua falta. 
Ouvindo aquilo, parecia absurdo. Mas, aos poucos minha mente foi clareando. Uma festa. Minhas amigas. Meninos. Rodrigo. Jake... Parecia que uma torneira de realidade estava sendo aberta e inundando meus pensamentos...

*Flashback*
- Não quero ir - eu dizia a Kate, uma das companheiras de festa.
- Larga a mão de ser boba. Vai ser ótima. E o Rodrigo vai estar lá. Vocês podem conversar.
- Não quero. Não depois de tudo o que ele disse. Prefiro, ficar na minha Kate, sem festas.
- Pára! Faz muito tempo que você não sai pra se divertir. Descontrair, ver gente.
- Não acho que vai ser uma boa...
E sendo assim, me arrumei e fomos. Sábado a noite, casa lotada, pessoas loucas, muito loucas. A gente mal tinha chegado, e vários caras vieram nos puxando para perto deles. Coisa insana. Parei por um momento a refletir, que eu convive durante muito tempo com aquilo, e agora, me parecia um absurdo. Colocaram um copo de bebida na minha mão. Era Kate.
- Aproveite - ela piscou e saiu andando, me deixando sozinha ali. Olhei para o copo em minha mão. Olhei ao meu redor, e para a minha sorte, vi Rodrigo. Em um ato impulsivo, virei o copo, de uma vez. Para suportar aquilo, eu iria precisar disso.
Música alta, olhares perdidos. Ele beijando outra. Ele se amassando com outra. Ele indo para o quarto com outra. E bebida que ia pra baixo. Eu já estava bem alegre, quando um cara qualquer, nem me lembro da sua fisionomia, já chegou me beijando. Pelo menos, beijava bem. A gente foi tropeçando, se beijando indo para um canto qualquer. E era mais uma coisa qualquer. Quando dei por mim, estávamos numa cama.
Acordei no dia seguinte com uma dor de cabeça dos infernos, somente de lingerie. Merda, o que eu havia feito? Com custo, acabei achando o resto de minha roupa. Não estava enxergando bem. Desci para a cozinha, afim de encontrar algo para tomar. 
- Ora, não sabia que você era assim, tão fácil. - a voz de Rodrigo ecoou pelo ambiente.
- Você não tem moral para falar comigo nesse tom.
- Ah, claro. Se eu soubesse que era fácil assim, teria insistido mais, pelo menos, sairia no lucro.
- CALA A SUA BOCA, IDIOTA. Você não sabe o que está falando. - Comecei a abrir os armários, para encontrar algo para tomar para a dor de cabeça. - Você não sabe de nada da minha vida, se sabe, é uma parcela bem pequena. Você não tem moral para falar nada de mim. Você, ao menos, nem se deu o trabalho de me conhecer... "Mulher da minha vida", ah, vá se fuder. - Achei uns compridos, num potinho. Nem me dei conta de ler o rótulo. Peguei um punhado, e soquei esôfago abaixo. Para ajudar, peguei um copo, com alguma coisa dentro, e tomei.- Como se não bastasse minha vida estar ruim o suficiente, você fez questão de piorá-la. Se eu morresse, ninguém sentiria a minha falta. 
- Cala a boca, além de ser fácil, é infantil - ele disse, ainda encostado na bancada, de braços cruzados. 
- Quem é você para me mandar calar a boca e falar assim comigo? - Eu disse avançando para cima dele, e quando ia lhe dar um tapa em sua cara , ele segurou meus dois punhos com muita força.
- Melhor que você.
- Você não presta nem o chão que pisa. Ficou comigo para atingir a Anne. Me usou, somente. E tira essas mãos imundas. Vai lá, comer a outra que está dormindo. - Minha vista começou a escurecer, e voltava depois de um tempo. Comecei a me sentir mole. Cambaleante. Como Rodrigo ainda estava me segurando, ele percebeu algo.
- O que está acontecendo aqui? - Uma outra voz conhecida preencheu a cozinha. Jake? - Julie...?
A ultima coisa que sentir foi minhas pernas cederem e uns braços me pegarem. Depois. Apaguei.
*Flashback*

Eu queria abrir um buraco e me enfiar dentro. Sumir, desaparecer. Parecia que cada vez que eu tentava concertar algo, eu fazia tudo ficar 500 vezes pior. Olhava a cara de desaprovação - ainda - de minha mãe, aquilo estava me matando. Eu queria que ela se orgulhasse de mim.
- Precisamos ver o que faremos com você agora... - Dr. Romeu disse.
Nem retruquei. Já sabia o que me aguardava. Que seja. Minha vida precisava melhorar. Sozinha eu havia falhado, que fosse com ajuda, internação, ou seja lá no nome  que isso tem. Será que um dia tudo vai voltar ao normal?

- continua -

17 de junho de 2011

O diario de uma otaria - capitulo 13

14 de agosto de 2010

Discando os números tão conhecidos já, um toque, dois toques, três... dez. Desligo. Ou eu estava ficando paranoica, ou realmente, ele não queria me atender. O por que disso? Nem Deus sabe. As mensagens já não existiam. E eu ficava a olhar meu celular a cada 5 minutos. Os sorrisos cruzados durante o dia também não. Tudo se passou a meros olhares perdidos. E uma cara de sofrimento vinda dele. Qual seria o meu problema? Acho que era me importar demais, e correr atrás de quem eu gostava. Sim, eu gostava de Rodrigo demais. Resolvi ligar na sua casa, a fim de que eu recebesse uma resposta. E tudo que recebi foi um "depois a gente se fala, por MSN" seco, e estupido. Ele não gostava de falar comigo por telefone, ele me evitada ao vivo, e por que eu ainda me importava?
Ele me trocou por futebol e sair pra beber com os amigos, um milhão de vezes. E durante a madrugada, me ligava bêbado, falando que eu era a mulher de sua vida. Às vezes, ligava falando que estava com saudades, ou era apenas pra me 'desejar uma boa noite pra menina mais especial que eu já conheci', ou então, falar que meu abraço era um dos melhores que ele já tinha recebido, e que necessitava tanto de um agora. Ele é totalmente paradoxal; uma ideia não bate na outra. Um momento me ignorava como se não houvesse outro amanhã, e em outro, ele me tratava como...hã... namorada? Eu não passava de uma mera conhecida, uma ficante qualquer.
Ele, pra mim, não era um mero conhecido ou um alguém qualquer. E nem Jake, que no fim das contas, já estava atolado na zona de meu esquecimento, conseguia me fazer mudar de ideia. Ele odiava o Rodrigo. Falou que eu merecia coisa melhor. Engraçado. Se eu mereço coisa melhor, por que ele não ficou comigo em todo o tempo que fui atrás e tentei algo?
E eu tentava me ocupar com algo, por menor que seja, para desviar a minha atenção do celular. Mas aquele vazio e a sensação que Rodrigo estava cada vez mais distante e diferente comigo, me incomodava. EU SENTIA AQUILO. Era um tipo de sexto sentido apitando, me alertando pra sair daquele terreno, pois mais uma vez ele iria desmoronar. E foi bem assim. Apitou, atendi:
'Eu quero conversar com você, simplesmente não dá mais.'
Durante o resto do dia, não me lembro muito bem, não fiz nada de útil. Entrei em minhas redes sociais. Postei que eu estava cansada e com dores. Até que, um certo alguém respondeu 'quer massagem?' eu fiquei com cara de "WTF?!" E pensei que era mais um que me seguia no twitter, e tentava me xavecar. Nem dei moral. A minha cabeça rodava naquela frase. Naquela conversa. Naquela dor e mais uma vez, na esperança de não ter apostado toda a minha sorte na lama.

- continua -

8 de junho de 2011

O diario de uma otaria - capitulo 12

06 de julho de 2010 

Desde que conheci o Rodrigo muita coisa mudou. Não sei, não sinto mais aquela vontade de correr atrás de Jake. Na verdade, não penso mais em Jake como eu pensava antes. Mas parece, às vezes, ainda sinto saudades dele, e de suas brincadeiras idiotas. Do seu jeito metido a nerd. Mas não doía como costumava.
Desde então, me sentia encantada com Rodrigo. Não que ele fosse atraente, mas o sorriso e seu rosto realmente me encantavam. O jeito que ele me tratava, a sua atenção para mim. O seu jeito tímido ao telefone, suas bochecha rosadas. Sim, eu achava muito lindo isso. Coisas que, geralmente eu nunca repararia ou passariam desapercebidas, mas de um jeito ou de outro, acabaram me encantando.
Sendo assim, marcamos de nos encontrar em algum lugar, tomar algo, passar um tempo.
Chegando ao momento, minhas pernas, minhas mãos e minha voz tremiam. Ele veio tímido, porém, sorridente. Conversa vai, conversa vem, ele acabou me contando alguns problemas, que realmente lhe faziam deixar para baixo. Eu, com a minha curiosidade natural, e minha vontade de fazer, as pessoas com que gosto se sentirem bem, ouvi com atenção, e lhe dava um abraço ou outro em alguns momentos, para confortá-lo.
Ele me contou de coisas que costumava fazer freqüentemente, e, por mais que eu não tivesse o direito de mudar ou falar algo a respeito, fiquei apreensiva. Mas, percebendo isso, ele parou de falar e ficou me encarando.
- Hum... Julie.
- Oi?
- Faz tempinho que eu queria pedir... hum... queria o teu sorriso pra mim... - ele olhou para os pés, envergonhado. Minha voz sumiu por uns instantes, e eu tentando processar a informação, pensava "Hã? ele quis dizer que quer ficar comigo?" - Queria saber se você... hum... quer ficar comigo e que eu seja a razão desse sorriso lindo que você tem...
- eu... hã... aceito...
Nisso, ele me olhava, parecendo um pimentão. Eu não sabia o que fazer, como agir. Parecia que estava menos decidida do que quando dei meu primeiro beijo, ou que eu sabia fazer mais coisas lá do que hoje. Sendo assim, ele me puxou para um abraço e começou a trilhar beijos da minha bochecha até minha boca. Segurando as minhas mãos trêmulas, ele sussurrou ao meu ouvido 'fica calma, estou com você', o que me fez derreter e me entregar totalmente ao beijo, em seguida. Passamos o resto da tarde, como um casal. Nem parecia que éramos meros ficantes, parecia que já estávamos juntos há muito tempo e que nos conhecíamos há anos. Aquela tarde em questão, foi uma das melhores da minha vida. Como se eu tivesse deixado todo um peso do passado para trás e agora, estava conseguindo voltar a caminhar com minhas próprias pernas. Como se, tudo tivesse em seu lugar, e eu tivesse achado alguém que me desse valor. E eu, com todas as minhas forças e esperanças, desejava que durasse. Que ele me amasse e me tratasse como eu merecia. Como eu queria isso. Eu já estava totalmente atraída por ele, mas aquele sentimento de ele poder escorregar entre meus dedos e desaparecer ainda permanecia. Virando as costas, na hora de ir embora, eu contei seus passos. Em casa, eu estava tão bem. De madrugada fui acordada por uma mensagem inesperada "você é uma mulher maravilhosa, e estou feliz por te ter em minha vida".
Mal sabia que essa mensagem seria relida umas 12 mil vezes durante uma semana, um mês, dois, três. Mal sabia que tudo poderia mudar, de uma hora pra outra.

- continua - 

30 de maio de 2011

O diario de uma otaria - capitulo 11

 26 de junho de 2010

Histórico de MSN: Só serve pra você se arrepender de ler aquilo que te trouxe dor e te fazer sofrer mais uma vez. Só essa utilidade que vejo pra isso.
O ex querido da minha amiga, engajou uma conversa por recados comigo, e não é que ele é até gente boa? Me perguntou sobre a faculdade, amigos, festas... e por fim pediu meu msn. Passamos a tarde toda conversando. Isso, a tarde toda. Tipo da uma da tarde até as 6.
- Ooooi, tudo bem? -  Rodrigo veio puxando assunto. Posso pular essa parte, né?
Respondi devidamente, e assim, começamos a puxar certos assuntos particulares.
- Sabe, uma das coisas que eu mais gostei em você, além do carisma, foi seu sorriso. Ele é muito lindo. E você também, muito linda.
- Ahahahaha, obrigada, Rodrigo. Eu vi seu comentário na minha foto.
O engraçado que, com essa frase, algo mexeu comigo. Como se despertasse algo adormecido, como que aquecesse aquilo que estava em fagulas, como se queimasse, ardesse, acendesse e incendiasse. Não sei porque, mas ao ler essa frase, meu dia foi do -16 pro 200.
E, assim foi... a cada 5 assuntos, ele meio que me jogava uma indireta. Ou uma direta. Não cansava de me elogiar e falar o quão bonita eu era, e que, em particular, o meu sorriso era o mais bonito que ele havia visto até hoje. Sugeri, então, para que ele falasse comigo pessoalmente. E, por algum motivo, achei ele meio receoso, no momento em que li "hum.. sou muito tímido, não sei se eu teria essa coragem toda... mas me passe seu celular...". Eu, toda boba e feliz - sim, feliz - passei o meu número e ele me passou o dele. Depois dessas 5 horas conversando direto, resolvi fazer algo útil de minha vida. Na verdade, até fiquei supresa, por esse dia não ter pensando em Jake em momento algum. Não ter sequer sentido falta. Era como se algo tivesse sumindo e desaparecendo, aos poucos... Era como se a conversa desse dia com Rodrigo, tivesse feito um bem enorme para meu ego e auto estima. Como se uma neblina tivesse passado e estava dando lugar ao sol. Aquele peso de minhas costas e minha consiciencia indo embora. Me senti tão feliz, que resolvi dar uma volta com meu cachorro na rua. Os dias estavam ficando longos e com uma temperatura agradável. Por um momento até refleti se Rodrigo estava conseguindo substituir Jake, porque, ao menos, era o que parecia. Mas algo me puxou pra realidade, quando lembrei que Rodrigo era o ex de Anne. Sem cogitar duas vezes, assim que cheguei em casa, comentei com ela sobre o que estava acontecendo. E pra minha surpresa, ela desejou que eu fosse feliz e que fizesse bom aproveito, porque ela não aguentava mais ele. 
E aproveitando o assunto, perguntei algumas coisas sobre ele... e ela me contou coisas das quais fiquei com medo, coisas as quais já fiz, mas fiquei com um receio dele fazer. Receio, de, sei lá, ele desaparecer. Ao mesmo tempo, em que a gente estava ficando bem próximos, eu tinha a sensação que ele poderia desaparecer sem deixar vestígios. E espero mesmo, que seja somente uma sensação ruim...

- continua -

24 de maio de 2011

O diario de uma otaria - capítulo 10

24 de junho de 2010

15 festas. Foi isso que eu recusei até agora. 15. Eu não acredito ainda em como estou conseguindo. Às vezes acho que é um ponto meio insano que existe em mim, que me fez querer mudar. Festas que em todas o Jake vai, e eu poderia me aproveitar dessa situação para tentar me aproximar 15 vezes. Mas, não. Algo dentro de mim, agora, prefere ficar em casa, fazendo qualquer outra coisa, do que ir lá, e saber como a noite vai terminar. Mas enfim. As férias estão chegando e isso me anima um pouco.
E também, faz quase 15 dias que comecei a academia, e está me fazendo um bem danado, ao menos, eu estou gostando bastante e o pessoal de lá, além de acolhedor, são super gente boa. Nesse tempo, eu esqueci de comentar aqui, eu conheci um garoto, e posso dizer que estamos bem amigos mesmo. Gustavo. Mais idiota que ele, impossível. Todo alegre e com um estilo particular, amante de Beatles, ele me arranca boas risadas e os momentos ao seu lado são bem agradáveis. Eu me sinto bem perto dele. Apesar de que a cada 10 palavras que ele fala, 11 são xingamentos referidos a minha pessoa, posso dizer que ele tem se tornado um grande amigo, ou o meu melhor amigo.
Daniel, que é amigo de Gustavo, fica me ligando ainda e tentando fazer eu voltar atrás das minhas decisões. E parece que, quanto mais grossa eu sou, mais ele gruda. Que saco! E, claro, por eu ter tido algo com o Daniel, é mais um ponto para que o Gustavo fique me zoando... Na verdade, me pergunto o quê ele não me zoa... já que tudo faz piada. Mas apesar desse jeito, os conselhos dele são ótimos, e ele é um ótimo ouvinte.. não que minha vida seja um livro aberto, mas pra ele eu me sinto segura de falar coisas que eu normalmente não falaria com ninguém. Ou quase ninguém, já que única amiga mesmo que eu confio, eu conheço desde os meus 6 anos.
E por falar nela... hoje quando entrei na minha página de relacionamentos (achei chique falar assim), vi que o ex dela me adicionou... Pelo que me lembro de Anne comentando, ele deve ser um pé no saco e um pouco idiota. Mas pela lei da boa vizinhança, eu adicionei, e mandei um recado, avisando do feito. Mais um pra fazer volume na página de amigos...

- continua -

23 de maio de 2011

O diario de uma otaria - capítulo 9


30 de maio de 2010

Acho que, durante todo esse tempo, não comentei bem o que eu e Jake somos. Na verdade, acho que ando evitando ao máximo de falar dele. Mas acho que ficar guardando tudo isso pra mim, não dá mais. Conhecemos-nos na escola. Duas crianças. Conhecemos-nos brigando já. Do nada, aquele pivete arrancou minha apostila da minha mão e saiu correndo, e eu sai correndo atrás dele gritando. Chamamos muita atenção na escola, já que todo mundo via dois pivetinhos correndo e uma louca gritando "Desgraçado, devolve minha apostila". Mas enfim, depois de um tempo ele acabou saindo do banheiro e me devolveu a apostila e falou "Oi sou o Jake e você, quem é?". A partir daí ficamos amigos. A partir da proximidade, minhas pernas começaram a tremer cada vez que eu via aquele menino com cabelos espetados. Meu coração palpitava dentro do meu peito. E eu não sabia que raio de sentimento era aquele.
Houve uma viagem, me lembro pouco, mas desse pouco me lembro de quanto ficamos juntos aquele dia, das brincadeiras e das risadas. Lembro-me da volta pra casa, num ônibus apagado e nós dividindo o mesmo banco. Lembro-me de uma conversa banal, e uma proximidade sem tamanho. Lembro-me de nossos rostos de aproximando lentamente, sentia a respiração dele batendo em meu rosto, sentia ele se aproximar de mim, mas tão próximos... Que o ônibus parou bem na hora H, as luzes se acenderam, e ai já era.
Lembro-me de conversas no MSN, e de uma vontade de ter ele pra mim. De beijar ele. De sentir ele. Lembro de uma feira de conhecimentos que fizemos juntos. Lembro das idiotices. Lembro de que, seu perfume me enfeitiçava, o cheiro dele impregnava o ambiente, e me deixava tonta. Eu tentava, de tudo mesmo, me aproximar mais, e fazê-lo perceber que eu poderia fazer ele feliz. Durante todos esses anos eu tentei AO MÁXIMO. Mas cada vez que eu tentava direta ou indiretamente, a gente brigava, e ele me bloqueava no msn, me ignorava pessoalmente. Vê-los todos os dias e ser desprezada, partia meu coração. E quando ele parava de fazer essas coisas, e voltava ao normal, eu voltava a sentir meu coração aquecido e minha tremedeira das pernas. Mas durava pouco, porque, ou ele voltava a me ignorar, ou para conversar sério, falando que gostava de outra, que eles estavam ficando. Ele não se importava comigo, era o que eu pensava.
Por um milagre divino, não sei, acabamos ficando... Foi o melhor momento de minha vida. Mas também as piores conseqüências. Briguei com algumas pessoas por causa dele. Afastei-me, perdi a confiança. Ele, pra variar, me tratou "mal", não se importou de quebrar meu coração mais uma vez. O que pisotear no que já está quebrado mesmo?
Pergunto-me, o por que disso tudo, sabe? Se nunca quis nada, por que, às vezes, alimentava uma esperança mínima? Por que ficou comigo?
E desde então, tento me manter afastada. Tentei ficar com outros, tentei um relacionamento, mas nada deu certo.
Como que a gente pode amar alguém que só faz mal? Que só nos deixa na pior, sem auto estima? Por que diabos, quanto mais queremos e precisamos esquecer alguém, mais lembramos e nos sentimos atraídos a ela?

- continua -

21 de maio de 2011

O diario de uma otaria - capítulo 8

22 de maio de 2010


Aquela tristeza maldita voltou. Agora, escrever aqui é como se fosse uma NECESSIDADE. Algo que eu realmente preciso fazer no meu dia. O engraçado foi que, até o Dr. Romeu elogiou o que eu escrevo, falou que eu faço parecer uma história de verdade, e que eu deveria investir nessa carreira e mais pra frente escrever um livro. Meus encontros com ele estão ficando cada vez mais espaçados, o que faz que ele tenha que ler umas páginas aleatórias. Me surpreendi quando ele pegou o diário, abriu e falou 'Uau! Você realmente gostou dessa ideia'. Mas a questão não é isso, não é só gostar, é colocar tudo pra fora. Enfim, ando meio sem vontade de fazer algo, e ouvi meus pais conversando sobre "Como a Julie anda depressiva". Não estou em depressão, mas ultimamente eu só quero ficar na minha. Acordo, tomo café, vou pra faculdade, volto, como, estudo, faço qualquer coisa e quando me deparo já finalzinho de tarde. Paro para fazer um balanço de quão produtivo meu dia foi, e chego a conclusão de sempre: nada produtivo. Essa coisa de nada mudar, e nada ser produtivo, realmente me deixa triste.
Bom, ando seriamente pensando em entrar numa academia, já que eu odeio meu corpo. Odeio o fato de ser gordinha e as pessoas me incriminarem por isso. Odeio o fato de ninguém me achar atraente. Então, resolvi ir atrás de uma; acho que isso vai fazer um pouco bem para mim. Mas também, morro de vergonha de ir à uma academia. Você sabe, sempre vai ter aquelas garotas que tem o corpo perfeito se achando e querendo te fazer inveja de quão perfeito o corpo delas são. Mas paro pra pensar... se fosse realmente perfeito, elas não estariam ali, certo? 
Perto da escola da minha irmã, há uma academia só pra mulheres. Vou lá qualquer dia. 
Ah, aquela escola... estudei lá também. Posso dizer que foram anos legais, mas tive uns bem... chatos, se essa é a palavra. Eu sinto falta das pessoas, que eram minhas amigas, das brincadeiras, das conversas, dos segredos. Sinto falta de sentar todo mundo na escada, depois da prova e olhar um com mais cara de desespero que o outro. Sinto falta daquele ambiente escolar, daquelas pessoas acolhedoras. Das loucuras e comentários insanos. Da ingenuidade. Sinto falta de quando eu ia chorar no banheiro, me esconder lá e alguém ia atrás de mim e me abraçar. Sinto falta do meu grupo de amigas. Aquelas que eu conheço há tanto tempo, que crescemos e compartilhamos tudo juntas. Costumávamos ser um grupo, costumávamos sair, costumávamos se importar uma com a outra... mas de uma hora pra outra isso se dissipou. Sumiu, está ficando longe, distante, como se nada mais importasse. Como se cada uma não passasse de uma estranha. Eu sinto tanta falta, tanta falta mesmo. Falta de combinar algo pra sair, só pra comer algo e se divertir com coisas mínimas. Falta de assistir filmes. Falta de quando só a presença já contava. Crescer é meio doloroso. Parece que a realidade dá um tapa em sua cara e você acaba caindo em si, e percebendo que no mundo você está sozinho com as pessoas indo cada vez mais em direção oposta de ti. Me sinto substituível e descartada facilmente.
Oras, era pra eu me sentir assim em relação às amizades ditas que eram pra sempre? Era pra gente passar de grandes amigas à meras conhecidas? Por quê ninguém mais se importa? Por quê não agrada mais?

Acho que essas são perguntas sem respostas.

- continua -

10 de maio de 2011

O diario de uma otaria - capítulo 7

5 de maio de 2010

- Eu estou pedindo um tempo - eu exclamei mais alto do que devia, fazendo com que várias pessoas nos olhassem - E VOCÊ NÃO PARECE ENTENDER! Não me deixa em paz um minuto, fica ligando, fica atrás, fica vindo aqui, fica me chamando pra sair. Oh meu Deus, 47 ligações em menos de uma HORA!
- Julie... eu não consigo explicar, você...
- Daniel! Você me sufoca! Preciso de um tempo pra mim! Além de ficar pressionando pra eu ir pra cama com você! EU NÃO QUERO, DÁ PRA ENTENDER ISSO, PORRA?
- Julie, eu amo você...
- Você pode me amar... - eu ia continuar a frase de uma maneira bem estúpida, mas me contive - eu sinto um grande carinho por você, gosto de estar com você e de te ter como amigo...
- Amigo? - Ele interrogou chegando mais perto de mim, e colocando as mãos em minha cintura.
- É, amigo.
- É SÓ isso que me considera?
- Daniel, presta atenção. Eu pedi um tempo, eu, eu - sentia meus olhos se encherem de lágrimas. DROGA, por quê eu tenho que ser uma manteiga derretida mesmo? -, eu não quero perder o contato com você, ficar junto é bom, me faz bem.
- Mas você quer ser só minha amiga. Julie, pra mim, você é a mulher de minha vida.
- PELO AMOR DE DEUS! ESTAMOS JUNTOS A UM POUCO MAIS DE UM MÊS E VOCÊ TA FALANDO QUE SOU A MULHER DE SUA VIDA? ME POUPE - Me desvencilhei dele, e sai andando. Engoli meu choro. Por mais estranho que pareça eu REALMENTE queria continuar amiga dele. Como amigo, pra mim, ele era ótimo. Por isso, no meu ponto de vista, não tínhamos química. Era mais ou menos como se eu estivesse beijando meu melhor amigo. Mas continuar desse jeito, não dava.
- Julie, é o que eu sinto.
- Você pode sentir isso tudo. Mas é improvável.
- Não é. Julie, eu realmente queria ser o seu primeiro home..
- Ah, não.  Me poupe por favor! Daniel. Não dá mais, não estamos dando certo. Não sinto tesão por você, entende? Não sinto atração, vontade de beijar. Não sinto. VOCÊ É UM GRANDE AMIGO PRA MIM. E SÓ. - Eu e minha incontrolável maneira de dizer as coisas sutilmente...
Não sei bem ao certo o que se passou depois. Eu comecei a chorar, ele me abraçou e me deu um beijo. E saiu andando. Eu sei, fui bem ridícula na hora de terminar tudo, mas era o que eu estava sentindo, e continuar nessa brincadeira de faz de conta não estava me fazendo muito bem. 
No fim daquele dia, eu ja me sentia bem melhor, como se tivesse, talvez, tirado um grande peso de minhas costas... ou não. Mensagens e ligações continuaram a insistir num impossível volta no relacionamento. Mantive minha opinião forte.  Por mais que eu quisesse esquecer o Jake, eu não poderia fazer isso comigo. Teria que simplesmente acontecer, e aos poucos. Forçar um amor é a pior coisa pra se fazer. Sei que poderia ter tentado mais, me esforçado mais... mas eu estava no meu limite mesmo.
Ao chegar em casa, me livrei de tudo que ele tinha me dado. Ou quase tudo. Só preservei um bichinho de pelúcia, já que o coitadinho não tem nada a ver com a minha decisão, e como gosto de bichinhos de pelúcia, ele ficou. Mas foi o único. Esse relacionamento foi um erro, assim como alguns anteriores. Assim como gostar de Jake. Que, por acaso, e por um milagre divino, me desbloqueou no msn (isso é uma coisa bem frequente, segundo ele, "a ausência te ajudará a me esquecer" ou então é porque brigamos demais... ou brigávamos), e veio conversando comigo querendo saber o porque do fim do término do meu relacionamento. Minha vontade era de dizer: Seu idiota, foi por sua causa, você não percebe?
- continua -

9 de maio de 2011

O diario de uma otaria - capítulo 6

30 de abril de 2010

"E as noites parecem ser mais frias que de costume. Minha pele arrepiada, sentia aquele vento. Um vazio, não sei de onde vinha ou surgia, mas mesmo sendo vazio, causava uma dor. E eu não conseguia me entregar de alma e coração para aquilo que eu tentava. Eu precisava de algo em meu corpo. Precisava senti-lo aquecido, de algo que fazia meu sangue reaquecer. Mas tudo parecia pedra e gelo. Seco."

Meu "relacionamento" com Daniel, de verdade, não é um relacionamento. Pelo menos pra mim. Ok, me mantém a maior parte do tempo ocupada (quando não estou estudando) mas eu não consigo me entregar. É como se faltasse química. E mesmo tentando na física, não dá. O pior nem foi isso. Foi que, em um mês, - meu Deus, um mês! - ele já fez juras de amor eterno, com cartões, flores, presentes, chocolates... Meu Deus, onde eu estava com a cabeça de ter começado isso? Ah, sim, bêbada. Ele seria o homem do sonhos de qualquer mulher, ser paparicada, mimada, ter presentes e juras de amor... mas pra mim, juro, me dá náuseas. E vontade de fugir. Mas isso é com ele só. Só de olhar o cartão - brega - que ele me deu - nossos nomes escritos dentro de um coração, e embaixo, amor eterno - tenho vontade de sei lá, sair gritando "NÃO". Sem contar aquelas tentativas de poesias... "Rosas são vermelhas, violetas são azuis.. blá blá blá". BLÉ! Sai.
Enquanto isso, eu fico idealizando coisas, não de amor meloso, mas um amor companheiro, ao lado de Jake. Ficar abraçados, sem falar nada, somente sentindo a presença um do outros. Não quero presentes a toda hora, ou juras de amor, quero carinho, respeito, atenção. É pedir muito? Quer alguém que se ama do seu lado? Às vezes me sinto tão ridícula, de viver pressa nesse amor não correspondido que acabo chorando de raiva de mim mesma, que faço de tudo pra sair, ligo pra quem vier em primeiro a minha mente, chamo pra ir num lugar insano para nos embebedarmos... mas claro, quando estou pronta e saindo de casa... lembro que não posso. MAS EU QUERO TANTO, mas não posso. E vivo nessa batalha interna. Estou me controlando ao máximo pra não ter uma recaída, de não ter que parar numa clínica de reabilitação. Não quero isso pra mim... mas lembrar do gosto do álcool em minha boca, e dele descendo pelo meu esôfago e me aquecendo e me deixando mais solta, me atraía muito. DEMAIS. E eu realmente tinha uns surtos, e ficava andando pra lá e pra cá no meu quarto, até que meu celular tocava, e era a 46ª ligação que eu recusava de Daniel no dia. E viver nessa batalha me deixa tão exausta, que parece que não tenho forças pra mais nada. A minha vontade é de ficar deitada na cama sem fazer nada o dia todo, todos os dias. Porque eu levanto já sabendo como o dia vai terminar. Já sabendo que nada vai mudar. E que não tem porque ter esperanças.
Ok, 47ª ligação de Daniel. Vou atender, pra mim já deu.

- continua-

30 de abril de 2011

O diario de uma otaria - capítulo 5

25 de março de 2010

Tem dias que a tristeza bate forte e eu me sinto como se eu fosse a única, deixada. Como se eu não tivesse apoio, como se não houvesse ninguém ao meu lado. Mas isso passa imediatemente quando estou sobre o efeito da bebida. Me sinto confiante demais. E como ultimamente estou sem ir a nenhum lugar que tenha bebida, estou aqui, sentindo muita falta dela. Mas estou tentando me controlar e ocupar meus pensamentos com outra coisa... como por exemplo, Daniel. Pois é, definitivamente, estou em um relacionamento com ele. Não que seja lá aquelas coisas, tipo, não sei, não há aquela química, o beijo dele é meio estranho (como não percebi isso no dia da festa? Ah sim, bebidas...), não tem aquela pegada, o abraço dele não é lá tão bom... mas ele é bom de conversa, é meio que agradável ficar ao seu lado e ele toca guitarra. Não, não sou Maria Palheta. Mas eu amo rock. Amo os sons da guitarra. Amo colocar um fone de ouvido e ouvir no ultimo. Então, falar de rock com ele seria um assunto fácil, fácil, já que com Jake nunca dava. Jake ODEIA rock. E odeia a banda que eu sou relativamente APAIXONADA. Green Day. Pois é, não sou emo, já avisando antes que me perguntem. Eles não são emos. Eu venero eles, gosto das atitudes deles, do jeito deles, e aaaaaaah de quem falar algo deles. "Você tem 18 anos e age como se tivesse 12" eu não ligo. Eu gosto mesmo, e como 'gosto' é que nem cu, cada um com o seu. Enfim, nosso encontro foi bom, comemos, conversamos, conversamos, conversamos, uma hora ou outra eu dava uma risada para descontrair, mas eu evitava ao máximo beijá-lo. Não me sentia a vontade de fazer. Mas tem horas que é inevitável. Fazia mais por obrigação do que por vontade, pra falar sério. E a pior coisa que uma mulher pode fazer: comparar  beijo de dois caras. NUNCA, EM HIPÓTESE ALGUMA faça isso. Inventei uma desculpa qualquer, falando que tinha que voltar mais cedo pra casa, para me livrar dele logo. Ok, pode me chamar de ridícula por estar ficando com um cara que eu evito beijar, mas lembra que eu falei que me daria uma chance? Pois é, estou tentando e não está sendo nada fácil, dói ficar com um pensando em outro. Na verdade mesmo, ando fazendo isso não só por mim, mas também para mostrar ao Jake que eu tenho algum valor. Duvido muito de que ele vai ligar. Desde quando ficamos, naquela unica vez, as coisas mudaram. Pessoas mudaram (sim, existe bem mais gente envolvida naquele fato do que algum ser normal poderia imaginar). E ficar com ele, naquela época foi o meu pior erro. Só resultou em dor, choros... mas meu coração é burro demais e continua amando ele. É uma atração tão forte quanto de dois ímãs de pólos inversos. Mas ando crendo que somos dois ímãs de mesmos pólos, que cada vez que estão juntos, se afastam. Falam que o amor e a vontade vem com o tempo... vamos ver.

- continua -

25 de abril de 2011

O diario de uma otaria - capítulo 4

Capítulo 4

10 de março de 2010

Não sei se sou a única, mas tenho uma caixinha aonde guardo algumas coisas que foram bem significativas no passado. Coisas boas. Mas, fazia um bom tempo que eu não mexia nela, depois de alguns acontecimentos, resolvi deixar ela pra lá, e passei a não guardar mais nada, como maneira de não me prender mais ao passado. E, mais cedo hoje, tentando limpar meu guarda roupa, acabei a encontrando, toda abandonada e empoeirada. Claro que abri. E parece que uma tormenta de lembranças veio ao meu encontro. Cartas, fotos, adesivos, datas, lembranças... mas na mesma hora me senti mal,e a fechei e devolvi em seu lugar. Ainda não me sentia a vontade de mexer nela.
Faz alguns dias que ando agindo como uma pessoa normal. Com uma rotina de vida normal. Até me sinto normal.. e bem. Não tenho mais aquela vontade de desaparecer do mundo, nem aquela vontade de não estar sóbria para encarar as coisas da vida. Eu sei faz só 6 dias que não chego perto de bebida e tal, mas por enquanto, minha vontade é de dar um rumo na minha vida. Em certos momentos, eu penso que cansei da minha rotina, de festas e bebidas e tudo isso, mas às vezes, a vontade de sair desse mundo é maior que a minha vontade de ajeitar minha própria vida. Engraçado isso. Bem que aquilo que minha mãe disse, faz até que sentido agora pra mim: sempre procurar uma saída mais fácil para encarar os problemas, mas essa saída só me trás mais problemas. Que paradoxal.
Um fato que também estou passando a perceber é que gostar de Jake dessa maneira e desde... Sempre está me fazendo mal. Acabei empacando minha vida, e não dando chances para outras pessoas entrarem.
Então, decidi que para isso acontecer, eu vou me dar uma chance de tentar. Aquele cara com quem fiquei na festa, me ligou (nem sabia que ele tinha meu número) e chamou pra irmos a algum lugar comer algo, de preferência sem musica alta. Seu nome, descobri hoje, é Daniel. Aceitei, e vamos nos ver hoje à noite. Espero que ele supere minhas expectativas...

*Flashback*
- Era exatamente disso que eu gostaria de conversar com você – Jake disse, me encarando sem expressão.
- Disso o quê? – Não conseguia entender. Aquela praça, sem movimento, aquele sol de inverno, aquele ventinho gelado me fazendo arrepiar e ele ali do meu lado, somente nós dois, não me fazia pensar direito.
- De você, de mim, de nós, se é que posso falar ‘nós’ – Ele falou, ainda me encarando sem uma expressão definida. Isso me irritava, levemente.
- Pois fale, então – eu disse, cansando de ficar em pé, e me sentando num banco próximo. Até imaginava o que estava por vir, e aquele maldito nó em minha garganta já ia se formando, mas me obriguei a não chorar ali, agora.
- Julie, eu gosto de você, do seu jeito, do jeito que encara o mundo, do jeito que vê as pessoas. Você acha que nunca me perguntei o porquê de ficar com você? Teve uma época que você me atraía muito, e eu achava isso errado, e acabei me afastando...
- idiota... – sussurei.
- o que?
- nada, continue...
- Eu realmente gostava DAQUELA Julie. Você mudou tanto e... – Ele se sentou ao meu lado.
- Claro! Todo mundo muda. Mas ainda continuo aquela Julie.
- Não, não continua. Você gosta de insistir no erro. Nesse erro. Nesse “NÓS” que não existe.
- Jake, o que você quer de mim? Por que me chamou pra conversar? Pra falar tudo que já sei? – Eu perguntei olhando no fundo de seus olhos. Ele não me respondeu. Silêncio. Levantei-me do banco e comecei a andar pra lá e pra cá, em sua frente, nervosa, tremendo. Ele se levantou, parou a minha frente e me segurou pelos ombros, me forçando a olhá-lo.
- Quieta. – e deu uma leve risada. – então...
Mais silêncio. Mais olhares. Juro que, se eu estivesse bêbada poderia dar uma desculpa pelo ato seguinte, mas nem isso eu estava, então foi pura insensatez mesmo...
- Jake, se eu fizer algo, você vai ficar bravo comigo?
- O que?
E sem pensar duas vezes, eu me aproximei dele, colando nossos lábios. Foi uma das melhores sensações da minha vida: não ouvia nada além de nossas respirações, não sentia nada, além de nossos corpos juntos, parecia que nada estava a nossa volta, que o mundo girava em torno de nós. Meu estômago sambava dentro de mim e eu não consigo descrever, mas o cheiro dele, a textura da sua pele e de seus lábios quentes, parecia que me sugavam para fora da realidade.
Fora meu primeiro beijo. Uma semana antes de eu fazer 15 anos.
*Flashback off*

- continua -

24 de abril de 2011

O diario de uma otaria - capítulo 3

5 de março de 2010

- Pois é, vejo que a senhorita anda gostando da ideia de escrever um diário – Dr. Romeu disse, assim que analisou as páginas escritas. Não que houvesse muita coisa, mas já dava para o gasto para eu me sentir um pouco mais leve em relação aos meus sentimentos. Ele deu uma olhada em geral e parou uma parte. – Você sofreu bullying.
- Não.
- Sofreu sim.
- Não sofri.
- Você pode negar o quanto quiser, mas o que diz não condiz com o que escreveu. – Ele disse severamente, me encarando.
- Não era bem bullying, doutor, era.. hum.. a menina somente me xingava e me chamava de gorda e feia. A opinião dela.
- E isso te afetou, e afeta até hoje. Não negue. Você é neurótica em relação à aparência. Mas tudo que você disse, ainda é bem superficial. Quero que você faça uma biografia. O que fez e o que deixou de fazer. Preciso disso, já que, falando você pode negar e mentir.
- O senhor tá me acusando de mentirosa? – Falei num tom afetado.
- Não, Julie, só estou dizendo que quem tem problemas com depressão e dependência química, geralmente não fala abertamente.
- Hum...
- Vamos ver... há quanto tempo você está sem beber? Sem se drogar?
- Faz quase um mês... – eu disse, encarando o chão.
- Mentira.
- Nã..
- Julie, sua mãe me ligou ontem. Você chegou à casa carregada por dois amigos. E estava inconsciente.
- Mas...
- Julie, quando eu falo que você tem que escrever TUDO, você TEM que escrever tudo. Ou é isso, ou é a clínica. Isso é para o seu bem.

Esse foi o super e animador diálogo com o meu psiquiatra. Psiquiatra. Juro que, lendo assim, parece que eu sou uma louca de pedra. Mas juro também que não sou. Minha mãe que é louca e pensa que eu tenho problemas mentais e por isso me faz visitar esse cara. Eu não gosto dele.
Ok, meu dia não começou lá essas coisas. Acordar de porre é um saco, uma dor de cabeça e com o estômago zuado. E de fato, tive uma festa, e acabei dormindo no chão da sala de estar da minha amiga. Mas eu simplesmente não me lembro como apaguei lá, mas só sei que acordei, com ela me chamando, falando que ia me trazer para casa. Lembro vagamente de ter passado mal, e de vir direto para cama. Acabei acordando 20 pro meio dia, perdi aula na faculdade, e então, resolvi escrever nisso aqui. Até que está sendo uma atividade fácil, porém é entediante. Não há ninguém em casa, minha cabeça parece que vai explodir. Eu tinha prometido a mim mesma que não iria mais depender de substâncias para me divertir. Eu realmente tentei. Tentei me manter afastada, tentei não me importar, e no começo, eu me dei bem. Até que vi ele. O autor da minha desgraça, ou da maior parte dela.
Jake. Alto, moreno, meio nerd. Não fazia o tipo de muitas garotas, mas a mim, ele fascinava. Fazia minhas pernas tremerem, e me coração disparar. E eu tinha uma necessidade de ficar perto dele, de ter ele, de sentir ele. E, eu tentei, desde sempre, me aproximar dele. Conquistar ele. Mas... hum, um dia conto essa parte. E vê-lo conversar com meninas lindas, me deprimia. Ver ele se interessar por elas, me deprimia. Ver que eu nunca serei mais de que uma amiga me deprimia ainda mais. O fato foi que quando me vi, já estava bebendo demais, mais do que eu realmente esperava. Não lembro o que tomei, mas lembro de ter misturado tudo e mais um pouco. E quando tudo e mais um pouco começou a fazer efeito me senti segura o bastante para tentar falar com ele, tentar me insinuar para ele.
- Oi Jake – eu disse numa tentativa de fazer uma voz bem sexy. Deve ter soado um tom ridículo, mas no momento eu me achei realmente sexy.
- Hey Julie, você por aqui – ele disse, simpático como sempre. Só de ouvir aquela voz, me arrepiava toda.
- Pois é – sorri tímida, colocando meu cabelo atrás da orelha. Jogo de charme. Sentamos num sofá ali por perto, e eu bebendo demais. Ele começou a falar de qualquer coisa, acho que sobre vídeo-game, e eu me aproximando cada vez mais perto dele. Não me importava se estavam olhando, só queria ele. Passei as minhas unhas de leve na sua nuca, o senti arrepiar, e por impulso, acabei sentando em seu colo, deixando bem a mostra minhas pernas, já que vestia uma saia bem curta e um decote avantajado.
- Julie, por favor...
E a partir aí, já deu pra imaginar, né? Ele me afastou de si, segurando meus pulsos fortemente, falando um “não” em tom seco. Ele sempre recusava. E aí, eu o vi emergir dentro daquela multidão de pessoas, e eu fiquei lá, com mais copos de bebidas, chorando. E imaginando qual era o problema comigo. Vai ver eu não seria boa o suficiente pra ele, mesmo.
A partir disso, só lembro alguns flashs. Um cara bonito, a gente se amassando naquele sofá, um belo chupão dos dois lados no meu pescoço, um roxo na minha cintura. E bebidas. Muitas. Não lembro o nome dele, nem se me deixou o seu telefone. Mas, quando eu estava com o cara lá, senti o olhar de desaprovação de Jake sobre mim. Olhava-me com certo nojo. Como se eu fosse uma puta. E era essa mesmo a imagem que eu estava passando. Sentei no sofá, passando a mão pelos meus cabelos e voltando a chorar. Ele sentia nojo de mim. Achava-me uma vagabunda. Meu estômago revirava.  Tudo estava virando. Deitei no sofá e apaguei. Meu último pensamento, antes disso, era “e se eu tivesse feito nada? Se eu não tivesse vindo? E se não tivesse o conhecido? E s’eu não tivesse nascido? Teria um peso a menos no mundo, com certeza”.

- continua -

23 de abril de 2011

O diario de uma otaria - capítulo 2

Dia 5 de fevereiro de 2010

Desde que saí do colegial, pensava que a minha vida ia dar uma revira-volta e que nada mais seria igual. Pensei que, encontraria pessoas perfeitas, num ambiente perfeito. Que eu seria uma pessoa nova e perfeita. Falsas idealizações. Na verdade, quando você deixa o ambiente colegial, você passa a perceber que o mundo continuará o mesmo. Que, aonde quer que você vá, irá encontrar pessoas que irão te machucar; irão te julgar por coisas como sua roupa, ou o jeito que você anda. Encontrará pessoas fúteis ainda, que se preocupam com o status, e se aquele cara tá olhando pra bunda e gostando – já que é a única forma que ela sabe como conquistar um cara, e por uma noite, somente. Não adianta idealizar, também, que depois do colegial, que um cara lindo irá bater na sua porta com um buquê de rosas e uma aliança na mão de pedindo em namoro. QUAL É PORRA! Você tem 18 anos ou mais e quer viver presa nesse sonho de menininha apaixonada?!
Eu tentava, com todas as minhas forças, me livrar do passado da minha vida escolar. Era uma da coisa que ainda machucava, por ter mexido muito comigo...
Esse negócio de diário funciona mesmo, por mais idiota que pareça, eu me sinto leve, ou um pouco mais. Enfim... Acho que para entender o presente, deveremos analisar o passado...

Era mais um dia de aula qualquer. Sempre na minha, com as minhas coisas, no meu canto, no meu devido lugar, sempre sentada à última carteira, para não chamar a atenção. Não provocava ninguém. Não conversava muito. Amigas? Tinha. Mas eram poucas e estavam em salas diferentes. Então, como a maior parte do tempo era na sala de aula e não no recreio, eu ficava sozinha. Eu tinha uns 13 anos, mais ou menos, prestes a completar 14. Do meu lado, sentada um garoto que era bem simpático comigo. Na frente dele sentava uma nojenta.
- Ora, ora... – disse Cristina, a nojenta – não é que a “gordinha com cara de nerd” está apaixonada?
Levantei minha cabeça, desviando minha atenção da lição, olhando-a com cara de interrogação.
- Jake. Da outra sala. O nerd. Isso não soa nada particular para você? – ela disse me olhando profundamente nos olhos. Estremeci... er, como assim ela sabia sobre ele?
- Não sei do que você está falando. Deixa-me em paz. – Falei voltando minha atenção para a tarefa. Eu sabia que essa história daria “pano para manga”.
Ela deu uma risadinha “maligna” e continuou me fitando. Mike, o simpático, ficava me olhando com uma expressão – que por um momento – pensei que transmitisse dó.
- Julie, a menina MAIS FEIA E GORDA da sala ama o Jake, o cara mais nerd que conhecemos. Até que vocês formam um lindo casal... Ops! Seria lindo se você não fosse tão feia. – Ela disse, e eu senti como se fosse um soco no estômago. Mike ficou me olhando com a boca aberta. Eu não podia chorar... Não devia. Engoli o nó dolorido em minha garganta umas 500 vezes.
Ao chegar a minha casa, depois do almoço corri para o meu quarto, fechando a porta. Fui ao espelho e fiquei me fitando. Lágrimas começaram a escorrer. “Ela está certa, como um cara poderá se interessar por mim, gorda, de aparelho nos dentes?”. Já que estava sozinha, não me importei de chorar. Doía tanto que nem chorar tava me fazendo bem. Por que as pessoas tinham que magoar outra para se sentirem bem, satisfeitas? Para sentir prazer? Para se sentirem superiores?
Mais tarde, quando entrei no MSN, havia uma mensagem offline do Jake para mim, falando que Cristina havia falado o mesmo para ele. No final ele deixou uma frase de uma música:
“You are beautiful, no matter what they say, words can't bring you down”


- continua -

22 de abril de 2011

O diario de uma otaria - capítulo 1

Dia 4 de fevereiro, 2010.

Olha, isso é totalmente ridículo. Tenho quase 19 anos e me obrigaram a escrever um diário. É um diário. Coisa de menininha de 4ª série apaixonadinha. Mas sou obrigada a fazê-lo, já que, se não fizer vão me internar em alguma clínica qualquer sob condições de 'profunda depressão com dependência química'. DROGA! Não se pode ter mais estilo, e vontades - ou nenhuma vontade - do que se fazer na vida. O quê? Tratam-me como se eu tivesse cinco anos de idade e não posso fazer nada dessa vida! Se eu fico em casa no computador, é porque fico o dia todo no computador; se eu saio e fico o dia todo na rua, é porque eu não paro mais em casa! Porra, ninguém se decide. Mas o caso de eu ter que escrever um diário com todos os meus sentimentos, não é isso. Na verdade, a história começa bem antes do que muita gente pensa, imagina, ou acha. Bem antes das coisas se tornarem complicadas. Não consigo me lembrar bem o que aconteceu durante aquele dia... Mas quando me vi, estava numa cadeira de um psiquiatra e ele falava severamente comigo....

- Julie, Julie, o que faremos com você? - Eu ouvia o doutor - como ele chama mesmo? - falando, distante. Ainda estava sobre efeitos de substâncias. Minha cabeça girava e tudo parecia estar bem leve. Onde eu estava mesmo? Ao fundo eu ouvia minha mãe chorar e resmungar. Ela sempre resmungava. E eu odiava isso.
- Vai interná-la doutor? - Ela disse, numa voz um pouco mais alta.
- Seria uma opção, já que ela está dependente quimicamente de substâ..
- Pode parando, não vou a lugar algum! - Um surto de realidade caiu sobre meus olhos quando ouvi a palavra 'interná-la' - Não sou dependente.
- Olha o seu estado garota! Como não? - minha mãe falou com raiva.
- Só usei uma vez, duas... ‘tá, umas 15 vezes, mas isso não quer dizer que preciso ir a um manicômio! Eu não vou. - cruzei os braços, feito uma criança birrenta. Olhando no espelho do consultório, eu estava com a roupa da festa da noite anterior - meio amassada, um ombro estava sem alça, com maquiagem preta escorrida até as bochechas. Havia um chupão no meu pescoço. De quem fora, e o que eu fizera com essa tal pessoa, eu não fazia à mínima ideia.
- Tem outra saída? Não. Você vai sempre procurar essa saída, a mais fácil para se desligar do mundo! Mas não percebe quanta gente tá envolvendo com isso! - Minha mãe berrou.
- Doutor, não me interne... eu, eu só tenho só 18 anos. Não quero ser taxada como a louca. A viciada. Só mais uma chance. 
- Só tem 18 anos, mas só faz merda! Vê se cresce! - minha mãe ainda me atacava com palavras. Eu ficava quieta.
- Se fôssemos analisar bem, você deveria ser internada por uns seis meses, porém, eu acredito que você possa virar o jogo por conta própria. Só que, há algo que você precisa fazer, pois te analisando, acho que, você usa substâncias químicas para se livrar de responsabilidades e problemas, indo parar num mundo que você sempre idealizou. Então, como uma última chance a você, quero que escreva um diário, com tudo o que sente e faz. O que come, como dorme e o que fala. Tudo. Esse é o trato.

E foi assim que passei a escrever esse diário idiota. Nunca me dei bem em escrever, na verdade, é uma das coisas que mais odeio. Mas era a minha última chance. No entanto, minha vontade de fazer isso não é das grandes. Na verdade, é nula. Mas se é pra fazer, acho que vou tentar me lembrar de alguns fatos do passado, já que este me persegue todos os dias, e por causa de sua sombra, eu vivo com medo.  Medo da rejeição, da aceitação. Medo das coisas novas, e de o que as pessoas vão pensar de mim. É hipocrisia falar que ninguém se importa com a opinião alheia. Todos ligam. Alguns podem não se importar e não se afetarem, mas comigo, parecia que era uma bomba, que fazia explodir uma dor, cada vez que falavam algo de mim. Minha reação, no início, era chorar, e muito. Mas depois, minhas reações passaram a ligar o ‘foda-se’, não para o mundo, mas sim, para mim mesma. Então, já que por minha vida nesse negócio aqui, vamos aas apresentações: Meu nome é Julie. Tenho 18 anos. Sou estudante de uma faculdade local. Tenho uma irmã, meus pais estão juntos. Tenho amigos, vou às festas, e de um ano para o outro, parece que tudo começou a desmoronar.

- continua -