O dia estava apenas começando. A claridade, insistente, invadia o ambiente através dos vidros. Meio entorpecida, cansada e pra baixo, ela olhava para aquele dia úmido e quente que estava nascendo... apenas nascendo. O dia seria longo, e ela se sentia vazia, como se algo faltasse dentro dela. A tal da claridade estava irritando seu olhos, e lágrimas escorriam pelo seu rosto. Ela pensou... tentava se explicar, mas toda a vez que o fazia, se sentia boba, e com razões pequenas, perto dos problemas reais. Infantil, idiota, ao seu jeito. Palavras parecia emaranhadas em sua boca, palavras era engasgadas, e isso resultava num choro silencioso, fazendo uma trilha em seu rosto, que rapidamente secava por causa do vento frio da manhã. Ela só queria companhia, só queria um abraço. Se sentia como um dia chuvoso, onde a chuva de emoções estava a fazendo desmoronar, e ela não sabia como conter.
Mostrando postagens com marcador coisas alheias. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador coisas alheias. Mostrar todas as postagens
18 de janeiro de 2012
7 de janeiro de 2012
Dia do leitor
Ler. Muita gente considera isso um bom hábito. Considera uma pessoa nerd, considera uma pessoa que cria fantasias para se esconder da realidade. Na verdade, como uma leitora assídua, é quase isso que acontece. Ler abre caminhos e cria mundos. Mundos que são tão diferentes do que vivemos. Uma realidade paralela. Ler acalma a alma; aguça a imaginação, libera a mente. Tem quem ache que ler fará de uma pessoa fora de si, uma pessoa que acredita em contos de fadas, magia, monstros, abracadabra! Mas quem lê, posso garantir, terá uma força, uma grande arma a favor de si. Se algum dia lhe atacarem dizendo que você vive fora do mundo real, levante a cabeça, não sinta vergonha. Não se deixe intimidar. Você, melhor do que ninguém, sabe que isso não é verdade. Ninguém sabe da sua vida melhor que você. E daí, se você gosta de acreditar em contos, em príncipes? Isso não quer dizer que você viva em função de tal. E daí, que se você lê e quer tem um padrão de vida igual a escrita num livro? Quem poderá julgar o que é melhor pra você, se não você mesmo? Pessoas têm o PÉSSIMO hábito de julgar outras. Já fui julgada, e na minha opinião bem injustiçadamente, por eu ter esse blog e ler muito. Já falaram que minha pessoa era "menininha-que-vive-fora-da-realidade". Só que o engraçado, é que essas DUAS pessoas que falaram isso, não conseguem enxergar o próprio umbigo, e perceber que não chegam aos meus pés para poder falar algo desse tipo. Soou prepotente? Pode ser, mas muitas vezes, pessoas julgam pelo o que você faz de melhor. E quando me criticam ou ofendem algo que gosto, não penso duas vezes em defender com unhas e dentes. Poderia até falar para tacar um livro na cabeça da pessoa que lhe disser isso ou algo do tipo, mas o livro não irá merecer. Somente diga, que se cada um tivesse o hábito da uma leitura diária, qualquer leitura, o mundo, talvez estaria uma pouquinho melhor. Bem pouquinho.
E quando me perguntam se pretendo parar de "mexer" com livros... eu falo que não, eles já fazem parte da minha essência.
Feliz dia do leitor! :D
21 de dezembro de 2011
Coisas alheias #22
Entre, a porta está aberta. Assim como as páginas do meu livro da vida, ele está escrito só pela metade. Costumava deixá-lo ali, no criado-mudo, com um marca-páginas meio amassado, meio antigo, meio velho, meio detonado. Ele ficava ali, só fazendo volume. A história não avançava; estava parada. Aquela história monótona que não tem um atrativo. Era assim. A porta costumava ficar trancada. O vento costumava a bater na janela, e voltar por onde tinha partido. O sol costumava não me invadir. Eu estava me movendo, mas não estava indo a lugar algum. Alguma mão, o achou interessante e o tirou daquele local. Estava empoeirado. Eu estava cansada, e a cada vez que tentava reescrever a minha história, mais palavras e pessoas eram riscadas de minha vida diária. No fim do dia, me sentia presa num labirinto, como se fosse caçar vidas num caça-palavras. Mas, alguém tirou essa poeira, e pegou uma caneta. Segurou a minha mão, e agora, está me ajudando a reconstituir as páginas que ficaram alguma lacuna. É como se a cada vez que se abrisse esse livro, meus segredos voam para longe, uma cicatriz recém curada, e que se cutucada, pode sangrar de novo. Dói? Dói. Mas é bom. Aprendemos nesses momentos. Um livro de memórias, com fotos e imagens, relances, momentos e o que mais tiver que ser para se tornar completo. A porta continuará aberta. O livro continuará a ser escrito, a ser preenchido. E a vida tomará outro significado.
12 de dezembro de 2011
Blábláblá - Estantes
Oi pessoal! :)
Bom, tava sem muito o que fazer agora, e aí resolvi pesquisar modelos de estantes pro meus livros... sabe como é, compro/ganho mais livros que meu espaço permite, então to sem espaço pra guardar, e eles tão meio "jogadinhos". Enfim, Aí resolvi postar aqui, uns modelos bem curiosos que eu achei.
Coisas alheias #21
E se me perguntassem o que eu mudaria em mim, para me tornar melhor? Eu responderia que gostaria de ser forte. Para aguentar a barra, poder suportar a dor e enfrentar meus medos e vergonhas, sem me conter. Mas.... eu não sou assim. A cada sofrimento que você tem, parece que algo se despedaça dentro de mim. E ainda assim, eu tenho que segurar aquelas lágrimas insistentes que teimam em queimar meus olhos. Respirar fundo, e fingir que nada acontece ou aconteceu. Realmente, eu te amo. E muito. E é estranho, se posso usar essa palavra. Nunca me imaginei passando por cima de algumas coisas e suportando mais do que eu costumava a suportar. Eu sei, a vida às vezes não é justa, não é fácil. Mas não é preciso enfrentar e resolver tudo sozinho. Nem desistir. Venha, eu vou segurar sua mão na escuridão, ou quando estiver prestes a cair. Deita aqui, escute as batidas do meu coração, e observe as estrelas. Não podemos alcançá-las, mas podemos sonhar que, um dia, poderíamos tê-las. Olhe em meus olhos, e sorria. Ah, seu sorriso...
21 de novembro de 2011
Coisas alheias #20
De mãos dadas. Estamos deitados somente sentindo o toque de um no outro. Aquele toque quente, eletrizante, que deixa rastro, arrepiando a pele. Sorrimos bobos, alegre e planejamos um futuro. Observamos o céu, vemos as estrelas. Desejando que tudo vai ser bom, ou que pelo menos, seja doce, e que possamos segurar a barra. Não precisamos ser fortes o suficientes, a ponto de dar a cara ao tapa e falar para a vida bater de novo.Temos nossos momentos quietos, nossos momentos de glória. Passo a mão em seu rosto, contornando seu traços, beijando suas sardas, vejo você com os olhos fechados e um leve sorriso brincando nos lábios... momentos de glória. Não precisamos de todo o dinheiro do mundo para descobrir a nossa paz. Aquela paz que muita gente procura a tanto tempo... Não temos pressa, temos o mundo todo em nossas mãos, e juntos podemos descobri-lo, explorá-lo, esperá-lo, com um passo a cada vez.
15 de novembro de 2011
Coisas alheias #19
Venha, está chovendo, e eu estou com frio.
Continuo te chamando, silenciosamente, aclamando, para que apareça a noite e me proteja de todos os medos e das ilusões que insistem em tomar minha mente. Nem mesmo aquele edredom é capaz de me afastar o frio que sinto. É um frio que nasce dentro de mim, e que aflora à minha pele e a faz se arrepiar, e me encolher junto a parede. Tentativa fracassada. Precisava de você aqui. Preciso. Ah, preciso. Futuro incerto, emoções que não sei explicar, que surgem e transbordam de meu ser. Um sorriso, um abraço, e um 'vai ficar tudo bem', seria o suficiente para um começo, de pelo menos, uma noite sem pesadelos, o silênci tem um barulho assustador e esses monstros me deixam acordada a noite toda.
1 de novembro de 2011
Coisas alheias #18
Então, vi você.
Lindo, confiante, sorridente, como se há muito tempo não ficasse assim.
Por mais "nãos" que a vida havia lhe dado, sempre reagia como se fosse um "sim". Nunca desistiu ou deixou de tentar; nunca parou, mesmo que se sentisse derrotado.
Naquele momento em que te vi, percebi e tive a certeza que a vida nunca mais seria a mesma, e que, por mais carregado e nublado que o céu esteja, sempre haverá um raio de sol, insistente para iluminar todo o resto.
29 de outubro de 2011
Dia nacional do Livro
É surpreendente o que acontece quando lemos: a imaginação flui, cria caminhos, vidas às personagens, similaridades, emoções. Conseguimos sair de uma realidade, e partir para outra, assim, puft. Muitas pessoas não lhe dão o devido valor. Não sabem o quão é importante e necessário a leitura para o ser humano. Por experiencia própria, uma leitura pode, sim, te tirar de um momento ruim. Pode ter fazer relaxar e além do mais, te fazer sonhar, porque, pode ser apenas um livro, mas o autor com certeza tinha sonhos quando o fez, por menor que seja. Um livro pode te inspirar, e te fazer perceber que pode ter algo dentro de você precisando sair, se expressar; pode te fazer querer ter um blog, querer escrever ou querer ler, ler, ler e ler. Afinal, ler não mata ninguém. É de graça - bibliotecas existem -, mas se forem que nem eu, uma leitora e compradora destes compulsiva, aí pode ser que aperte, que falte um pouco de grana... mas o que não fazemos pra se ter um bom livro, não apenas MAIS UM, mas sim O livro desejado no momento? Fora que uma boa leitura de vez em quando é importante. E se todos tivessem esse hábito frequente e valorizassem aquele livro ali, na estante, meio empoeirado, o mundo seria bem melhor.Feliz dia nacional do Livro! :D
11 de outubro de 2011
Olha ela lá...
Olha ela lá, andando de lá pra cá. A vida corrida, cansativa. Ela espera o ônibus impaciente - meu Deus que atraso, que demora - ela odeia depender isso. O dia estava quente, nublado e úmido. O suor escorria. Ela ria? Era pra deixar a vida mais doce, mais leve, mais... o que mais? Tinha a vida que muita gente gostaria de ter. Família, namorado, faculdade, amizades... mas algo parecia perdido, algo parecia faltar. Ou algo foi perdido e ela só se deu conta disso agora? Mas, no fundo apesar das reclamações constantes - Como eu odeio ônibus lotado! - ela gostava mesmo era de observar as pessoas. A vida, o jeito, um paralelo diferente. A correria, as caras e bocas. Tudo naquele vai e vem. Tudo naquela correria. Tudo indo ao seu destino. E qual seria o seu destino? Algo sambava dentro de si. O que ela estava pensando minutos atrás mesmo? Ah.. sim.. a falta. Lembrou-se de um verso de Caio Fernando Abreu:
"E sofrerás muito quando resolveres dizer só aquilo que pensas e fazer só aquilo que gostas. Aí, sim, todos te virarão as costas e te acharão mau por não quereres entrar na ciranda deles, compreendes?"
Compreendia? Não. Acreditava que isso iria melhor? Não. Mas assim como as outras pessoas dentro de um ônibus sacolejante, ela só queria seguir seu destino, chutando algumas pedras no caminho, abrindo espaço por outros, tropeçando, caindo, sorrindo, chorando, cantando, se machucando, perdendo e ganhando, tudo isso, seguindo o que quer. E o que queria? Ah... nem ela sabia. Mas sabia que precisava querer algo, pra vida continuar. Porque a vida é assim, a gente sempre querendo mais...
4 de outubro de 2011
Coisas alheias #15
Vento úmido da manhã. Eu estava alheia de coisas necessárias. De coisas que eu precisava fazer nessa manhã. Olhava para a janela, como se eu fosse receber um sinal. Mesmo com o sol insistente, aquele vento fazia eu abraçar-me e olhar ao redor. Sentia falta de você. Imensa e irrevogavelmente. Às vezes parecia que eu amava por um, dois, três, ou quatro pessoas. Ou até mais. Era aquele amor grande, enorme, imenso. Não cabia no meu peito. E doía, ah como doía. Olhava as andorinhas brincando no ar, dançando com o vento junto com as folhas das árvores. 'O amor é como o vento, não podemos vê-lo mas podemos senti-lo'...
Só daria um segundo de minha vida, para que muitas coisas pudessem voltar ao tempo. Um segundo que se repetisse incansavelmente, para que você vivesse ao meu lado. Para que essa ausência e esse frio que me acompanham fossem embora, para que eu deixasse de ser uma criança amedrontada com medo do escuro por causa dos monstros que há dentro do armário.
24 de setembro de 2011
Coisas alheias #14
Estava apoiada na pia do banheiro. A água fria escorria pelo meu rosto, e eu olhava meu reflexo no espelho. Um passado que parecia tão distante, eu ainda enxergava aquela menina de bochechas cor-de-rosa correndo de um lado pro outro. O passado havia deixado marcas, mas havia ido embora, também, como a maioria das coisas em sua vida. Olhava aquele reflexo, e só enxergava olheiras e cansaço. Aquela vontade de desistir, de fugir. De correr... mas pra onde? A janela mostrava o crepúsculo. Mais uma olhada no reflexo, via a água escorrendo, os cabelos que foram molhados, colando em minha testa. Eu sentia falta daquela garota sonhadora, onde sua vida fora idealiza, onde ela fora criada longe de problemas reais. Metade de meu reflexo era bochechas rosadas e a outra metade, um pouco mais velha, meio branca e com olheiras. Metade de minha vida estava escrita em páginas de livros de romance, e aqueles que idealizam e mostravam que, se você tem um sonho basta lutar e seguir em frente.
Eu lutava, lutava, lutava, mas parecia que a cada passo que eu dava nessa corda bamba, ele ficava ainda mais distante, e mais difícil de atravessar e era como precisar agarrar a mão de alguém para não cair num precipício. Eu precisava me agarrar aos sonhos para não cair no precipício da realidade, que tentava a todo custo me puxar para o fundo. Eu não podia. Não, não, não. Precisava aguentar, cantar e sonhar, pois eu sabia e todo mundo sabia que para ganhar, tinha que perder algo. E, eu suportaria alguma outra perda? Suportaria abrir mão de algum sonho para poder aguentar outro tipo de dor? Um grito sufocado em minha garganta. Desespero, falta de esperança, vivendo em uma rotina, naquilo que eu precisava acreditar pra poder continuar... sonhos, sonhos, sonhos...
13 de setembro de 2011
Stuck in a Wondermadland
Caindo. Era isso. Estava caindo e girando. Ao certo, não sabia para onde estava indo, mas estava caindo. Lembrou-se do livro ‘Alice no país das maravilhas’. Será que era para lá que estava indo? Num mundo onde gatos sorridentes falavam e nada havia um tamanho certo? Será que ela ouviria alguém gritar para corta-lhe a cabeça? Mas já vivia num mundo de loucos, julgou. Não sabia a resposta, porém, sentiu um baque e caiu sentada numa rua devastada, aonde havia judeus se arrastando num desfile com soldados os maltratando. Sentiu-se estranha. A humanidade era tão cruel. De repente houve correria e gritaria. Desespero. Muitos estavam com caras de fantasmas. Levaram-na para um porão, cheio de gente. Sentou-se no chão, abraçou os joelhos. Sim, pensou ao ouvir o barulho de bombas, a humanidade era tão ridícula por pensar que uns são melhores que outros. Tão estúpida a ponto de destruir seus próprios semelhantes. Fechou os olhos e choramingou suplicando para que todos os inocentes vivessem. Ao abri-los novamente, deparou-se à frente de um menino. Ela o olhou, bem no fundo, como se estivesse analisando sua alma. “Olhos de ressaca”. Sorriu de leve, e esquivou-se, começando a correr para um bosque. E quando adentrou, ele se transformou numa densa floresta úmida e fria. Mais pra frente, havia uma clareira cheia de flores. O sol e o vento brincavam entre elas. Olhando para frente viu um monte de lobos se aproximarem. Estavam vindos em sua direção. Encolheu-se e sentiu um animal, o maior dele, pulando em cima de si. Escuridão. Levantou-se e viu-se com vestes pretas. Silêncio, um barulho assustador. Deparou-se com uma varinha na mão… e “Avada Kedavra”, o feitiço atingiu seu peito. Dor? Pensou que sentiria algo… mas não sabia o que estava sentindo. Estava estirada, num mausoléu com roupas antigas um rapaz jazia morto ao seu lado com um vidro de veneno em sua mão. Lágrimas caíram por seu rosto. Avançou, chegando próxima a ele, colando os lábios, para quem sabe, arrancar-lhe um pouco do veneno de seus lábios para ficarem juntos para sempre…
Nada aconteceu. Só sabia que estava beijando o cara mais fofo que nunca foi notado por ela e que estava vestindo um lindo vestido. Ele era o irmão de sua melhor amiga! Ele que a notara quando ela era invisível. Sempre fora ele… sempre…
- HEI! Acorde! – Seu melhor amigo a cutucou, rindo de sua cara amassada. Levantou a cabeça da carteira escolar e viu o livro que estava lendo. Este estava com a página amassada na qual havia parado. Maldita hora que havia pegado no sono. Olhou nos olhos do amigo. Sorriu. Era ele, alguma coisa gritava dentro de si. Sempre fora ele. Sempre.
6 de setembro de 2011
Coisas alheias #12
Era noite. Ela estava sentada na cama, olhando uma foto na tela do celular. E parecia que ela tinha a certeza, tanta certeza, num mundo cheio de controvérsias e coisas incertas. Ela gostava de viver no mundinho dela. Naquele mundinho cheio de livros, histórias, fantasias e músicas lentas. Ela olhava estática para a foto, uma simples fração de segundo, captada por uma câmera. Um sorriso, um momento, uma alegria. Ela olhava com os olhos cheios d'água. Mas não era de tristeza... era de uma alegria que não cabia dentro de seu peito. Era como se ela tivesse andado, andado, andado... e achado, no lugar mais improvável, mais incapaz a sua felicidade... ou grande parte dela. Aquele que necessitava e foi feito sob medida, um recorte perfeito, a peça que faltava, o sorriso que precisava pra seus dias. Os abraços, os beijos...
Ela se sentia tão repetitiva quando precisava falar o que sentia; sentia-se como um disco velho, tocando a mesma canção várias e várias e várias vezes. Mas, ao mesmo tempo, não se cansava da mesma canção. Da sua canção. A melodia que a enxia de vida, de vontade. A música que agradava seus ouvidos, acalmava sua alma. A mão que, delicadamente, contorna-lhe o rosto com os olhos fixos. Ela sabia. Ele sabia. Ela não queria deixar nenhum momento para trás, nenhum milésimo de segundo. Ainda olhando a foto. A música de fundo... sem companhia, mas ela sabia que, mesmo longe, ele estava com ela, em pensamento, em sentimento, em espirito.
4 de setembro de 2011
Coisas alheias #11
Peguei minha caneca de café, que estava pela metade, e fui me sentar no sol, ignorando que ainda estava de pijama, ou o que eu classificava de pijama. 9h35min da manhã, sendo que fui dormir as 4h. Uma noite regada de sonhos, preocupações e dores no estômago.
Porém, sentada e sentindo o calor daquela estrela radiante, fazendo com que o meus cabelos recentemente pintados de vermelhos reluzissem ainda mais, parei para pensar na cor vermelha. A cor da paixão. Como era boa. Sentir ela emanando de sua pele para a minha e saber que era tudo tão... verdadeiro. Olhar todas as vezes no celular e ter uma mensagem 'eu preciso tanto de você'. Poder ficar olhando você, tão frágil, deitado em meu colo, pensando que poderia passar o resto dos dias assim. Passando a mão em seus cabelos, olhando seu sorriso de menino. Tão frágil como uma criança que necessita de carinho e falar que não há nada a temer, como se, a qualquer instante, pudesse desmoronar. Mas, ao mesmo tempo, tão homem, tão capaz de me fazer sentir amada, sentir prazer, sentir segura. Tão cheio de si, capaz de botar um sorriso no rosto até quando parece ser impossível, mesmo que para que isso aconteça, seja eu olhar para seu rosto e perceber aquele sorriso bobo brincando em seus lábios. Aquela vontade de abraço. De carinho, afeto, carícias... O vento gelado da manhã me fez arrepiar toda. Eu me sentia um tanto quanto sozinha. Queria você perto com seu calor, e não apenas o calor do sol, ou da caneca quente de café. Era você que eu queria, você. Era você e mais ninguém.
25 de agosto de 2011
Coisas alheias #10
Olhando insistentemente para a porta. Esperando que ela seja aberta por você, correndo, e venha me abraçar. Olhando para o relógio insistentemente. 7h30min da manhã. O tempo nublado. Frio. Era um dia vazio, sozinho. Meu coração estava implorando "eu preciso de você aqui". Preciso. Parecia que os dias de minha vida estão rastejando. É possível se sentir assim? Querendo só a companhia de uma pessoa ao seu lado? 7h31min. O tempo está virando meu inimigo. Ficar sozinha está virando o meu maior pavor. "E se...", os devaneios começam. Sinto meus joelhos bem fracos, como se com um vento forte, eu pudesse desmoronar toda, ficar em ruínas. Cara, o que você fez comigo? Nunca me senti assim, nem senti algo parecido por ninguém. Às vezes sinto que estou perdendo o controle. Eu estou perdendo o controle? Às vezes parece que tudo está escapando pelas frestas de meus dedos. Teria que me redimir e pedir desculpas por todas as vezes que agi fora de mim? Tenho certeza que sim. Não é que eu não acredite em você. É que às vezes tudo parece tão irreal que preciso de você para acreditar que isso não é mais uma fantasia de minha mente. Preciso de você dizendo com todas as letras e xícaras de café possíveis. Preciso saber se, ao fim do dia, ainda estará esperando por mim.
11 de agosto de 2011
Coisas alheias #9
Quando a gente é criança, percebe que o mundo é uma grande diversão. Que, mesmo com problemas, podemos achar, até um pouco de graça neles.
Quando eu era criança, aos domingos, eu costumava caminhar com meu pai pela vizinhança. Era legal. Eu era pequena, sem noção nenhuma de trânsito, não que fosse movimentado aonde eu morava, mas lembro de meu pai me ensinando a não atravessar a rua sem olhar para os dois lados. Lembro dos primeiros conselhos. Lembro de quando ele falava que achava que ia chover naquela tarde. Lembro de como era divertido esperar os domingos para poder fazer isso e ir ao mercado, depois passear numa banca de jornal. Lembro que era divertido andar de bicicleta, mesmo com o sol "rachando a cuca". E era divertido se sujar de terra, caçar minhocas ou tatuzinhos. Que era divertido ir ao jardim de minha vó e despedaçar os botões das rosas que meu vô cultivava, e depois fingir que nada tinha acontecido. Era divertido subir no fusca que meu vô tinha, e depois escorregar pelo porta-malas. Era uma verdadeira brincadeira. Era como se o tempo passasse, mas não passasse. Como se eu tivesse a vida toda pela frente, para poder continuar a me preocupar com que lápis de cor tom verde eu iria pintar as folhas de uma flor, para não ficar igual a da grama. Nunca fui muito de bonecas... eu tive a fase de bebês, Barbies e Susis, mas como eu gostava de brincar fuçando nas coisas de meu avô. "Você parece um muleque, menina! Vá brincar de casinha com sua irmã/prima!", quantas vezes eu não ouvi essa frase? Quantas vezes eu não quis fazer algo que "não é pra sua idade. Quando você crescer, você poderá fazer". Quantas vezes, chorei por querer ser mais velha.
Agora, anos depois, prestes a completar os meus 19 anos, lembro do passado, desejosa que tudo voltasse a reluzir como uma bolha de sabão recém feita. Desejosa que os problemas não fossem problemas de verdade, desejosa que, o mundo fosse melhor, que as pessoas fossem melhores, que eu não tivesse sofrido tanto por amores não-correspondidos. Desejosa que as amizades fossem como antes, que as minhas relações fossem como antes, porque, quando crescemos, parece que deixamos uma parte para trás, e que nos dias de hoje, há uma lacuna que não pode ser preenchida. Mas ao mesmo tempo, percebo que há uma vasta quantidade de coisas a serem descobertas ainda, e que a vida continua, não para, te consome e não volta atrás.
29 de julho de 2011
Coisas alheias #8
Era noite. Fria e calada. Preenchida, às vezes, pelo som dos carros insistentes. Deitada e minha cama, coberta até as orelhas, olhava incansavelmente o relógio: 4h da manhã.
Não havia sono o suficiente que pudesse preencher a vontade que eu tinha. A vontade de sentir o calor emanado da sua pele se transferindo à minha. Em silêncio, lágrimas caíam de meus olhos. O porquê, eu não sabia. Só sabia que era preciso que elas saíssem. Algo doía, e eu também não sabia o quê era. Talvez fosse a vontade imensa de te trazer agora para perto de mim. De sentir suas mãos dedilhando minhas costas. De ver seu sorriso bobo, e sentir o seu cheiro da curva de seu pescoço. Talvez, no meio da noite, eu tenha virado uma criança, com medo, muito medo do escuro. Ou talvez um medo inexplicável de se perder algo que se ama muito. E que precisasse de um abraço, somente. Daquele abraço. Do seu abraço.
22 de julho de 2011
Coisas alheias #7: What's love?
Realmente me falta inspiração para falar o que é o amor… pra mim. Na verdade, não é só agora. É sempre. As pessoas me perguntam o que é o Amor, e eu simplesmente paro para pensar e tentar achar uma reposta válida. Podem estar me achando uma louca, e estarem pensando ’Oras, o amor é um sentimento de afeto por outra pessoa e pronto.’. Mas eu não acho que seja SOMENTE isso. Acho que o amor em si, envolve muito mais que um afeto; muito mais que um carinho, muito mais que um simples… sentimento. Você acordar e ver a pessoa que ama ao seu lado e sorrir, é amor; você rir do jeito que ela/ele tomam sorvete e se lambuzam todo, é amor; você ficar perto da pessoa somente sentindo a presença dela, é amor; um toque pode demostrar amor…
E eu não digo amor em relações amorosas, digo em relações de amizades e, parentescas também. Dizer ‘eu te amo’ hoje em dia se tornou algo tão vago. A pessoa diz isso da boca para fora, e às vezes nem é verdadeiro esse sentimento, diz por dizer. E isso é o que realmente machuca. Amor machuca. E em outros casos a pessoa não precisa dizer necessariamente ‘eu te amo’ com essas três palavras, pode ser ‘eu gosto de sanduíches de queijo’, mas se a outra pessoa ver que sanduíches trás algum significado especial para ambos, pode acreditar, ela vai entender. Então, pra mim, amor é mais que uma demostração, mais que palavras ditas, é a convivência, é o toque, o carinho, é a importância que a outra pessoa tem em sua vida.
“Aonde que anda o amor? Procurei ele na gaveta, debaixo da cama, na sala de estar e na sala de aula e não encontrei. Acho que ele se cansou e fugiu. Fugiu para um lugar tranqüilo aonde as pessoas valorizam ele. Ou talvez tenha tirado umas longas férias, pois todos precisam de férias, até o Amor. Só espero que ele não demore, esse vazio me consome.”.
16 de julho de 2011
Coisas alheias #6: Redundant
O celular tocava tal música. Era 5h50min da manhã. Ela acordou, levantou meio cambaleante. Tateou a parede até achar o interruptor. Foi cega pela luz. Passou as mãos nos cabelos bagunçados. Suspirou. Seu dia seria mais uma vez rotineiro mas tentou não pensar muito na rotina logo pela manhã. Arrumou a cama, vestiu-se rapidamente; estava frio. Foi ao banheiro, lavou o rosto, puxou os cabelos bagunçados para trás fazendo um rabo-de-cavalo alto. Olhou-se no espelho:
- Que bosta.
Seguiu para a cozinha, tomou seu café da manhã em silêncio. Foi para o quarto, passou perfume, colocou uns cinco livros na mochila; retirou os fones de ouvido da gaveta, plugando-o no celular. Foi ouvindo música até a escola. Avistou ele, chegando ao local ao mesmo tempo em que ela. Sorriu sentindo arrepios. Prestou atenção em cada aula, anotando o necessário. Às vezes sua mente viajava em pensamentos. Viajava para o rosto do outro. Para o sorriso do outro. Respirou pesadamente voltando à atenção na aula. Bateu o sinal. Mais um dia estava indo. Em casa, comeu, viu as novidades na internet. Tinha esperança de algo novo. Estudou. Olhou no relógio. Trocou-se, foi à academia ouvindo sua banda favorita. Suou. Voltou para casa, cansada, ouvindo sua banda favorita. Tomou banho. Ligou o computador, conversou um pouco. Comeu. Secou o cabelo. Estudou, quebrou a cabeça e fundiu seu cérebro. Depois, começou a conversar com algumas pessoas no MSN; surpreendeu-se com uma. Qualidades nunca antes reveladas a surpreendeu. Tentando fazer algo diferente para sua coluna, pediu ajuda pra um amigo, e eis que ele sugeriu que ela falasse sobre cotidiano. A criatividade apareceu. Escreveu dois textos para sábado, escolheria o melhor depois. Sorriu. Ah, esse sentimento. O dia estava acabando e ela estava desejando que o amanhã fosse melhor. Desejando que ele a notasse; desejando algo novo. Despediu-se com “um beijo” para o melhor amigo, um “até amanhã” para a amiga e com um “boa noite, se cuide e…” uma frase incompleta, para o outro. Apagou as luzes. Deitou-se. Virou de bruços puxando as cobertas até suas orelhas. Respirou fundo. O sono a embalou e junto com ele veio os sonhos. Sonhos bons, sonhos ruins, sonhos sem fim. Mas no fim, ela estava correndo para encontrar algum lugar; corria para uma luz daonde também vinha uma melodia conhecida. Corria e sorria. E a cada passo o som ficava crescente. O celular tocava tal música. Era 5h50min da manhã. Ela acordou, levantou meio cambaleante. Tateou a parede até achar o interruptor. Foi cega pela luz. Passou as mãos nos cabelos bagunçados. Suspirou. Seu dia seria mais uma vez rotineiro…
“We’re living in a repetition. Content with the same old stick again. Now the routine’s turning to contention, like a production line going over and over and over, roller coaster.”
Assinar:
Postagens (Atom)

