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9 de outubro de 2011

Coisas alheias #16

Chuva. Vento. Um quarto. Uma cama. Um edredom. Um travesseiro. Uma pessoa. Um perfume. Uma vontade. Um nó na garganta. Uma saudade. Um sentimento. Um par de sapatos no canto do quarto junto com calça e blusa. Um par de meias metido nos pés. Um frio constante. Ela se agarrava ao edredom, o abraçando bem forte  e junto ao seu corpo, e com os olhos fechados, ela sussurrava para si mesma "vai passar logo, vai ficar tudo bem". Ela queria sentir o toque quente daquelas mãos conhecidas, o abraço. Ela só queria que tudo passasse, que não houvesse medo. Ela só queria que tudo fosse um tempo ameno, ensolarado.

4 de outubro de 2011

Coisas alheias #15

Vento úmido da manhã. Eu estava alheia de coisas necessárias. De coisas que eu precisava fazer nessa manhã. Olhava para a janela, como se eu fosse receber um sinal. Mesmo com o sol insistente, aquele vento fazia eu abraçar-me e olhar ao redor. Sentia falta de você. Imensa e irrevogavelmente. Às vezes parecia que eu amava por um, dois, três, ou quatro pessoas. Ou até mais. Era aquele amor grande, enorme, imenso. Não cabia no meu peito. E doía, ah como doía. Olhava as andorinhas brincando no ar, dançando com o vento junto com as folhas das árvores. 'O amor é como o vento, não podemos vê-lo mas podemos senti-lo'...
Só daria um segundo de minha vida, para que muitas coisas pudessem voltar ao tempo. Um segundo que se repetisse incansavelmente, para que você vivesse ao meu lado. Para que essa ausência e esse frio que me acompanham fossem embora, para que eu deixasse de ser uma criança amedrontada com medo do escuro por causa dos monstros que há dentro do armário.

29 de julho de 2011

Coisas alheias #8

Era noite. Fria e calada. Preenchida, às vezes, pelo som dos carros insistentes. Deitada e minha cama, coberta até as orelhas, olhava incansavelmente o relógio: 4h da manhã.
Não havia sono o suficiente que pudesse preencher a vontade que eu tinha. A vontade de sentir o calor emanado da sua pele se transferindo à minha. Em silêncio, lágrimas caíam de meus olhos. O porquê, eu não sabia. Só sabia que era preciso que elas saíssem. Algo doía, e eu também não sabia o quê era. Talvez fosse a vontade imensa de te trazer agora para perto de mim. De sentir suas mãos dedilhando minhas costas. De ver seu sorriso bobo, e sentir o seu cheiro da curva de seu pescoço. Talvez, no meio da noite, eu tenha virado uma criança, com medo, muito medo do escuro. Ou talvez um medo inexplicável de se perder algo que se ama muito. E que precisasse de um abraço, somente. Daquele abraço. Do seu abraço.