Chuva. Vento. Um quarto. Uma cama. Um edredom. Um travesseiro. Uma pessoa. Um perfume. Uma vontade. Um nó na garganta. Uma saudade. Um sentimento. Um par de sapatos no canto do quarto junto com calça e blusa. Um par de meias metido nos pés. Um frio constante. Ela se agarrava ao edredom, o abraçando bem forte e junto ao seu corpo, e com os olhos fechados, ela sussurrava para si mesma "vai passar logo, vai ficar tudo bem". Ela queria sentir o toque quente daquelas mãos conhecidas, o abraço. Ela só queria que tudo passasse, que não houvesse medo. Ela só queria que tudo fosse um tempo ameno, ensolarado.
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9 de outubro de 2011
29 de julho de 2011
Coisas alheias #8
Era noite. Fria e calada. Preenchida, às vezes, pelo som dos carros insistentes. Deitada e minha cama, coberta até as orelhas, olhava incansavelmente o relógio: 4h da manhã.
Não havia sono o suficiente que pudesse preencher a vontade que eu tinha. A vontade de sentir o calor emanado da sua pele se transferindo à minha. Em silêncio, lágrimas caíam de meus olhos. O porquê, eu não sabia. Só sabia que era preciso que elas saíssem. Algo doía, e eu também não sabia o quê era. Talvez fosse a vontade imensa de te trazer agora para perto de mim. De sentir suas mãos dedilhando minhas costas. De ver seu sorriso bobo, e sentir o seu cheiro da curva de seu pescoço. Talvez, no meio da noite, eu tenha virado uma criança, com medo, muito medo do escuro. Ou talvez um medo inexplicável de se perder algo que se ama muito. E que precisasse de um abraço, somente. Daquele abraço. Do seu abraço.
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