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16 de fevereiro de 2014

Amanhã, quem sabe...

Foto via We Heart It.

A madrugada é engolida pelo silêncio. Mais uma vez estou debruçada em cima de meu caderno de rascunhos procurando a companhia das palavras; mais uma vez há lágrimas em meus olhos. 

Eu costumava a acreditar que fazer o bem, me levaria a ganhar coisas boas. Em partes, recebo muitas coisas boas em minha vida, e sou grata por todas elas. Mas, em outras, me esforço tanto para fazer o bem e deixar feliz quem amo e, às vezes, até esqueço de mim. E tem sido assim. Alguns anos se passaram, e ao me olhar no espelho nem me reconheço mais. Essas lágrimas, querido, são daquele sentimento de inferioridade, de levar a culpa por algo que eu não faço parte. Mas, é só mais uma noite de insônia e xororô. Amanhã, quando tentarei arrancar de mim essa coisa ruim, capaz de ouvir, ainda, que não o deixei em paz. Nada supera a dor de um coração partido, a dor de palavras que ferem; para não gerar mais um amontoado de brigas, ficarei quieta e fraca, sorrindo amarelo e com o peito ardendo por ter que ouvir (mais) certas coisas.

Amar não é só estar presente em épocas boas. É estar junto pro que der e vier e sambar conforme a música. É lembrar que pequenos detalhes fazem a vida a dois melhores, não apenas dinheiro (ele não é a solução para todos os problemas, meu amor). É abraçar, é sorrir e beijar com vontade, com paixão, com tesão e ser insaciável. É olhar para a pessoa e dizer com orgulho e peito estufado que ela é seu amor, seu melhor amigo. É quebrar o pau e terminar a discussão com um beijo de quem se ama, e não com insultos que geram um milhão de lágrimas. E lembrar que somos todos iguais, e terminaremos iguais, no chão, na terra.

Ouço a chuva cair tímida e suave na janela. Ainda acredito em dias melhores. Ainda acredito em um "nós" melhor.

31 de dezembro de 2013

E passou voando...


Todo dia 31 de dezembro é aquela coisa: milhares de mensagens e desejos para que o ano novo, que daqui algumas horas vai entrar, seja um ano bom e melhor do que se passou.
Depositamos toda nossa fé, toda nossa esperança naquele momento da contagem regressiva, para que, como se fosse um milagre, só trouxesse coisas boas. Simpatias e orações silenciosas.

Este ano de 2013  foi um ano de descobertas. Das boas e ruins. E se eu for colocá-las na balança, elas me ajudaram a descobrir que hoje, sou uma mulher muito melhor do que a menina que fui em 2012. É, meu crescimento e amadurecimento em 2013 foi inevitável e inacreditável. É como se eu olhasse para trás e nem me reconhecesse mais e percebesse que aquele corte de cabelo curtinho não combina mais comigo e meus quilinhos a mais. Ou abrir os olhos para certas coisas e dar mais valor a certos momentos e pessoas. É clichê falar em mudanças logo no dia 31, e falar que somos uma pessoa melhor e diferente, mas foi exatamente o que aconteceu. Essas descobertas me fizeram fincar o pé no chão, parar de idealizar momentos e pessoas e até, me ajudaram nos ataques de ansiedade. E para não ficar de fora, até meu coração deu uma mudada. E o blog, claro.

Medos e inseguranças ainda são inevitáveis em certos momentos. Ainda tenho aquele medo infantil da perda e a insegurança de fazer certas coisas. Mas, às vezes é preciso dizer 'não' e impor quando não se gosta de algo ou que algo lhe machucou profundamente. Segundas chances, hoje, são raras, e terceiras então? Fora de cogitação.

2013 foi um ano que passou voando. Em um piscar que olhos, eu estava no começo de 2011, entrando na faculdade. Agora, 2014 vem chegando, e com ele meu último ano da faculdade e a luta para achar um emprego. É a vida se transformando, e virando de ponta-cabeça, mais uma vez. E com tantos altos e baixos é preciso ter força, postura e equilíbrio para não cair do salto.

O que desejo, então, não são promessas falhas que fazemos na hora da virada - e que nunca serão cumpridas no decorrer do ano. Meu desejo de felicidade é diário, todos os dias que levanto da cama, esteja sol ou esteja chuva. Acordar, abrir os olhos, respirar fundo lentamente e desejar 'que seja um dia bom', 365 vezes ao ano. Que seja um ano bom.

Feliz 2014! :)

28 de dezembro de 2013

Nossa canção

Aquela velha canção está tocando novamente. Eu estou parada ouvindo pela vigésima vez (nesta mesma hora). Aquela velha sensação de ansiedade que, mesmo tendo passado uns bons aninhos já, vão sempre me lembrar daquela primeira vez: dia chuvoso, com uma trégua com um sol ardido de brinde. A rua, vazia; a desculpa? Os livros, como sempre.

Aquele arrepiozinho de ansiedade que pairava em mim - e continua até hoje -, foi o impulso que faltava para me levar até o local em que eu menos esperava encontrar alguém que hoje, completa a maior parte de meus dias.

É estranho pensar que, apesar do tempo que anda passando depressa, muitas coisas não mudaram. Como a ansiedade em te ver. A pele arrepiada em cada toque. O desejo em cada beijo. A vontade de passar o resto do dia, das semanas e dos anos, juntos. Mas, o melhor de tudo é sempre pensar que quando mais precisei você estava lá. E quando mais preciso, você está lá, seja pra me dar bronca pelos erros, seja pra me dar um abraço pela saudade ou seja pra me dar colo pela enxurrada de choro que pode estar por vir.

Esses 3 anos me mostram várias coisas, entre elas, como a vida pode ser totalmente diferente do que planejamos. Você me ajudou e ajuda a abrir os olhos para diversas opções e caminhos, e me guia pelo que julga melhor. Me mostrou também que, como qualquer ser humano, você erra e tem muitos defeitos. Erros que precisaram ser deixados para trás para podermos seguir em paz (ou, no caso, eu) e defeitos que, com o tempo, você se acostuma, ou até aprende a melhorá-los.

Me ajudou a crescer, e pegou bem a fase chata de transição 'menina-mulher' e hoje, com certeza, sou uma mulher melhor por conta de você e todos os puxões de orelha e elogios que levo no decorrer dos dias. E claro, por sempre acreditar em mim e aguentar até naqueles piores dias; dias de tpm, estresse e muito nervoso.

A música ainda toca, e percebo que mesmo que os anos passem, a sensação de felicidade ao ouvi-la é a mesma quando eu tinha 13 anos. Comparo nosso amor com ela, por motivos de que, por mais tempo que passe, só ela me faz sentir completa e realizada, sentir aquele prazer; fechar os olhos, pensar em você e sorrir e ficar em paz. Isso é amor.


14 de outubro de 2013

Aquele amigo do peito...


Mulher sabe o dilema que é comprar roupa. Tem algo que gosta, porém não serve; aquela outra peça, engorda; aquela, não combina com o cabelo; já aquela ali, tão linda, mas deixa as pernas tão estranhas... Lidamos pela vida toda com coisas desse tipo.

Mas, meu dilema vai além de uma blusa ou de uma calça que não serve. O meu problema é meu amigo do peito. Meu sutiã. Não vou me gabar pela quantidade de peito que tenho; pelo contrário, quem convive comigo, sabe que esse é um dos fatores que mais reclamo do meu corpo. E já me disseram que sou uma louca por não aproveitar os dotes que tenho... Mas, no decorrer desse pequeno e cômico fato, vocês vão entender.

Uso tamanho 54/56 de sutiã. Sim. Grande, enorme. Um exagero. Meus amiguinhos, além de tudo, são pesados, logo não é qualquer sutiã que fica bom (fora o fato que isso ta acabando com minhas costas). Por que estou falando do tamanho? Pois bem. Sofro um pequeno preconceito quando vou as lojas comprar um sutiã. A atendente começa seu serviço com a clássica pergunta "o que você precisa?" e quando respondo, ela simplesmente diz (olhando fixamente para meus peitos): "Não é possível que você tenha tanto peito assim / Nossa, olhando seu corpo, não dá pra perceber / SÉÉÉÉRIO?”. 
AMIGA! Se eu não usasse TUDO ISSO, eu não pediria, certo?

Foi num certo dia que resolvi descer no centro com minha mãe. Mas era daqueles dias em que eu estava de TPM, com o cabelo horrível e de mau humor. Só que eu PRECISAVA comprar e o único tempo livre seria aquele dia daquela semana. Complicada essa vida. 

Pois bem, eu (avoada como sempre), quando chegou na hora de responder "o que eu precisava", falei pra moça que precisava de um sutiã tamanho 58. Sim, errei o número, era pra ter falado 56, mas quem nunca, né?
A mulher arregalou os olhos, olhou pro meu peito e pra minha cara umas 500 vezes; olhou pra minha mãe que também estava com cara de espanto. Com um sorriso amarelado, ela começou a falar com TODAS as atendentes da loja. Sim, ela foi contando o fato de que eu, Priscila, de 21 anos, usava um sutiã 58, e TODAS as atendentes começaram a olhar fixamente pra mim, me encarando como se eu tivesse fugido do hospício.

"Olha moça, não existe tamanho 58" - ela disse depois de espalhar o boato pra loja inteira. Nesse ponto, até as outras clientes já estavam me encarando. 
"Mas eu uso, dessa marca X, moça" - eu respondi, tentando não ficar tão vermelha quanto meu cabelo.
"Essa marca só vai até o 56" - ela retira um dito cujo da gavetinha, e eu repentinamente começo a rir. Além de mau humorada, passei por louca varrida, mas tudo bem. Minha mãe, mais que depressa, pegou o sutiã, passou no caixa, e quando saiu da loja, disse: "você me faz passar cada vergonha, Priscila". O que mais eu poderia fazer? Fiz a egípcia e fui embora.

O que aprendemos com isso, amigos? Ter muito peito pode ser ruim, bem ruim... E bom, se depender de uma atendente, boa sorte; a meu ver elas são tão indiscretas...

8 de julho de 2013

A sinestesia do amor ficcional


Odeio a sensação de me apaixonar e desapaixonar por um personagem fictício. Como uma leitora assídua, minhas emoções vivem em uma montanha russa enlouquecida, num constante sobe e desce; felicidade e tristeza, raiva e paixão. O personagem é um tremendo garanhão galanteador, romântico até o último fio de cabelo e, em meio diálogo seu, você já está lá, com os olhos marejados e com aquele sorriso bobo brincando nos lábios; você vai sonhar e desejar, do fundo da sua alma, encontrar um cara que lhe deseje tanto quanto aquele mocinho deseja sua mocinha; um cara que lhe diga ao pé do ouvido palavras que te farão suspirar e se sentir linda, única. Um cara que vai lutar e tentar provar todos os dias que te ama e que não precisa de mais nenhuma outra ao seu lado.

Odeio sonhar tanto, abrir os olhos e encarar a dura realidade. Não estou dizendo que não há caras românticos neste vasto mundo. Há. Mas, o cara de um livro tem a capacidade de mexer com nossos sentimentos mais fundos. Uma sinestesia da paixão. A sensação de sorrir feito uma boba lendo esses melodramas me fazem bem. Todas nós gostaríamos de uma estabilidade; de um romance sem brigas nem mágoas. Mas, nem nos livros são assim. O carinha, geralmente, vai despedaçar o coração da mocinha e depois, tentará reconquistá-la. Em nosso dia-a-dia, as coisas podem até não funcionar assim, e é aí que percebemos que o imperfeito pode ser melhor ainda.

12 de junho de 2013

E quem diria...



 A probabilidade de encontrar alguém interessante na internet é grande, certo? De se apaixonar por uma imagem e por palavras também. Mas, encontrar alguém da sua cidade numa rede social enorme (o twitter), se apaixonar e começar um relacionamento era pequena, e as chances disso dar certo são míseras.

Porém, minha história com meu namorado, o Leandro (mais conhecido como Tico. Um dia me acostumo a chamá-lo desse jeito), começou exatamente assim. Por algum motivo, ele começou a me seguir no twitter. Eu não fazia ideia de quem era aquele estranho, com um avatar desenhado, divulgando seu blog. Achei que seria mais um seguidor qualquer, seguindo massas e que logo me daria unfollow. Eu não estava nos meus melhores momentos. Estava sofrendo por alguém que nunca se importou comigo, que nunca quis saber verdadeiramente como eu estava, como eu pensava, como eu sentia; uma pessoa que me colocou dentro de um pesadelo que eu não estava conseguindo sair. Eram enxurradas de textos e lágrimas e músicas que me deixavam pior, bem pior. E foi numa das minhas reclamações no twitter que dei um espaço para o Tico e ele começou a interagir comigo. Passamos a conversar a tarde toda por mensagens via twitter, mas não era o suficiente. SMS, telefonemas, provocações e uma promessa da parte dele que me conquistaria e que eu seria sua namorada. Apostei, claro, descrente de seu sucesso. No Skype, ao vê-lo a cada dia, conhecia mais aquele homem que fazia parte de um mundo tão diferente que o meu, que me fez ter outra perspectiva de vida. Ele me ajudou e me apoiou em grandes momentos, mesmo estando do outro lado da tela do computador. E quando não nos falávamos, eu sentia tanta falta dele. Era aquela saudade que chegava a doer; e isso sem, ao menos, conhecê-lo!

Um dia, depois de muitas mensagens trocadas, resolvi dar o passo para encontrá-lo. Eu tinha medo, estava insegura (tinha me ferrado da outra vez e não acreditaria que essa daria certo), mas queria ver ele de perto e saber se ele era real. Estava apostando todas as minhas fichas e "últimas esperanças" (ah, os dramas dos 18 anos...) naquele momento, naquele dia. E se eu não tivesse feito isso, teria sido um grande erro; teria deixado ele ir embora, escapado por entre meus dedos a oportunidade de conhecer e estar ao lado de um homem maravilhoso (mesmo que ele seja bem rabugento, às vezes...). 

Hoje, com quase 2 anos e meio de relacionamento, posso dizer que aquele foi um momento marcante em minha vida. Um momento em que conheci o homem que eu amo e que me ama e, me ajudou a deixar a imagem de menina para trás, assim como meus terríveis pesadelos; aquele que me ajudou e ajuda a crescer; o homem que me faz sonhar e planejar o nosso futuro e, ao chegar ao fim do dia, é aquele que me faz querer estar em seus braços, para ser reconfortada, para descansar e ficar em paz.
Podemos ter nossos momentos de brigas e discórdia, mas nada disso nunca nos atrapalhou. Nem os problemas mais sérios que não são necessários ser citados. Passado é passado. Sempre continuamos ali, firmes e fortes, um apoiando o outro, mesmo que do outro lado da tela do computador.
E quem diria que esse amor tão incerto daria tão certo?





Do nosso lindo amor, nasceu a Jujuba. A hamster mais fofa (gorda e tonta) dessa internets.
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8 de junho de 2013

E daí?


Coincidentemente, essa semana li um texto do Walcyr Carrasco o qual ele discorreu sobre um tema que sempre gera polêmica. Ser gorda, e daí?
Disse que foi coincidência, pois nessa semana que passou, numa livraria que tem dentro da minha faculdade, fui "maltratada" pela atendente; era de manhãzinha, e fui perguntar para ela se havia um moletom da universidade. Ela me olhou da cabeça os pés e disse (procurando a contragosto, só para dizer que atendeu) que não havia moletom para o meu TIPO e que não iria chegar mais. Olhei para ela, meio incrédula pelo o que tinha acabado de ouvir e falei "pois é, que pena, né, uso G ou GG, mesmo".
Por uma experiência de 3 anos naquele lugar, eles sempre recebem mercadorias e, provavelmente, no mês que vem pode até ter a numeração, mas pelo descaso da "querida" atendente, prefiro passar longe de lá.

O caso é o seguinte, esse preconceito com as pessoas gordas é tão absurdo como contra as pessoas negras. Ir numa loja e ser olhada "torto" ou ir numa lanchonete e as pessoas ficarem encarando, ou até ouvir falarem "nossa, já tá gorda, e tá comendo porcaria". Eu adoro fast-food, e nem quando eu tinha emagrecido um pouco mais, eu parei de comer. E sempre vou comer quando tiver vontade. E vou comprar e usar roupas que quero.

A mídia impõe um certo padrão de beleza (o mais novo é o da tal barriga negativa), e isso faz com várias mulheres se sintam mal por não conseguirem esse objetivo midiático, o que é extremamente patético, na minha opinião. Acho que o que vale é ser feliz e saudável, mas poder comer um chocolate de vez em quando, comer um McDonalds e tomar uma Coca-Cola no meio da tarde.
Tinha uma época que usar calça 44, sutiã 54 e blusa GG, me incomodavam pra caramba, mas, como eu já disse lá em cima, eu sempre fui do padrão criança-cheinha, menina-gordinha. Quando era menor, as pessoas colocaram apelido em mim de bolinha de queijo, de brigadeiro, entre outras comidas (deliciosas, por sinal), mas também, já chegaram a me ofender de maneira bruta e me machucaram muito. Eu era gordinha, cheia de espinhas e com aparelhos horrorosos nos dentes. Isso, hoje, é considerado bullying, certo? Mas só ajudou a ser quem eu sou, hoje; e, com quase 21 anos, sou gordinha assumida (por mais academia e dieta que eu faça, nunca vou fazer o estilo magro. Está na genética, minha gente, é a vida). Claro que tem dias que odeio meu corpo, e já pensei em milhares de soluções (também tenho meus dias de revolta).
Mas, por quê não xinguei a mulher? Porque, diferente dela, eu não a julguei pela aparência, estilo ou peso; segui educada. Azar o dela se ela acha que o padrão de magreza é o que rege no mundo. 

E o tamanho da sua calça, blusa ou sutiã, não importam. O que importa mesmo é o jeito que você é, e seu intelecto; tenho certeza que muita gente não vai gostar deste texto, assim como julgam as pessoas gordas, quando não as aceitam em empregos, estágios pelo motivo peso, mas pode ter certeza, que, às vezes, você pode ser melhor que muita gente. E o primeiro passo para provar isso é se amar, o segundo é não ligar para opiniões de terceiros, e aí, as coisas acontecem naturalmente, porque tamanho não importa. ;)

Prazer, eu =)

6 de junho de 2013

E o tempo passa...


Aí, sem querer, percebemos que crescemos. Quando nossa fala não treme mais na frente de um público, quando percebemos que nossos dias se resumem a uma rotina entediante e que há mais coisas importantes para se preocupar do que a opinião alheia sobre como você está vestida. Percebemos que crescemos quando passamos a sentir falta de pequenos momentos de alegria, os mais simples e sinceros. Quando sentimos falta de dar aquela gargalhada gostosa de doer a bochecha e se sentir leve depois da crise de riso. 

Percebemos que, ao passar pelo mesmo lugar, todo dia antes de ir pro trabalho/faculdade, você sente falta daquele velho senhorzinho, o qual você nem conhece, mas sorri e te dá bom dia todos os dias - e acaba sentindo falta quando ele não está lá, sentado no banquinho na calçada lendo seu jornal. A gente vê o quanto nos preocupávamos com coisas idiotas, com picuinhas e babaquices que hoje, sinceramente, já não fazem sentido algum.

Chega o fim do dia, você não quer saber de nada, nem de trânsito, nem de carro, nem de trabalho, nem de pessoas falando na sua cabeça. Você deseja paz, uma coberta, um livro. A noite, a insônia às vezes vem, e antes, você podia até chorar por não conseguir dormir, mas hoje aproveita esses momentos para refletir e pensar “o que eu estou fazendo com minha vida?”.

Pode soar estranho, meio depressivo, mas crescer é isso. Quando você se dá conta, já está mais velho e pensando como um adulto; desejamos a felicidade e que o mundo seja mais colorido, mas sabe por quê? Porque  nossos dias rotineiros deixamos de lado aquilo que, quando crianças, enfatizávamos e exalávamos: cores, alegrias e doces. É aquela velha história, se correr o bicho pega, se ficar o bicho come.

5 de maio de 2013

Mais um dia...


Estava sentada na cama com a cabeça encostada na parede. Mais um dia que não conseguia dormir; mais uma noite que se arrastava. Eu estava com calor, estava com os pensamentos a mil, estava sozinha. Quantas vezes olhei para o celular, que estava ali do lado, jogado meio de lado no criado-mudo, procurando um conforto? Quantas vezes não o peguei na mão, digitei aqueles velhos números conhecidos para ouvir aquela voz reconfortante... mas não liguei? Apenas ficava encarando os números na tela. Fechava os olhos e fazia um pedido secreto: queria você aqui.

Tentava ser forte todos os dias e construir barreiras indestrutíveis; mas ultimamente, nem forças para construir essas tais barreiras tenho mais. E quando cai a noite, é aí que a fraqueza vem à tona: me sinto como uma criança com medo do escuro, a procura de um abraço reconfortante, e de uma mão para segurar. Porém, meu abraço estava longe, e até , nem fazia ideia do que acontecia alguns quilômetros dele. Mais uma noite estava acabando, e junto com o dia que estava clareando, minhas olheiras ficariam mais evidentes; meu cabelo, uma bagunça. Um gole de café, uma sensação estranha na garganta. Um grito preso, uma vontade renovada. Mais um dia para tentar ser forte; mais um dia para poder segurar sua mão; mais um dia para desejar secretamente que você nunca a solte.

28 de abril de 2013

Mulheres e romance


Toda mulher gosta de romance, e isso é fato. Podem existir aquelas radicalistas dizendo que isso é coisa de   menininha e tudo mais, mas no fundo, bem que ela gostaria de algo mandado ou feito por alguém que a ama.
Não faço o tipo de romântica jurada de pé junto e nem quero focar no tal "mimimi", mas digamos que assim como qualquer coisa na vida, gosto de balancear e gosto de livros que cantam o amor de uma forma açucarada que me faz até ficar "enjoada" de vez em quando.

Um relacionamento deve ter dose de um pouco de tudo, inclusive de romance e somente pelo fato da mulher precisar dele. Mesmo que ela diga que não seja romântica. Mesmo que ela não ligue para rosas vermelhas numa data especial; mesmo que ela não ligue de usar aliança, ou não se importe em ganhar presentes sempre; mesmo que ela negue até o último fio cabelo dela, que 'assim tá tudo bem'. Uma demonstração pública de afeto, um mimo, um agrado, um pequeno texto ou uma pequena mensagem dizendo que a ama pode ser o suficiente. Uma braço, um beijo na nuca, um sorriso. Para ser romântico, você não precisa de muito. As melhores coisas, como sempre dizem, são as mais simples e são coisas que marcam. Ela quer se sentir especial.
De que adianta fazer isso no começo do relacionamento, e depois que o tempo passa, se esquecer de tudo? De que adianta negar certas coisas quando ela, aquela que você diz "é só minha namorada/mulher" e diz que ela te enche o saco o dia todo, ficou do seu lado mesmo quando as coisas não estavam legais, nos piores momentos de sua vida? De que adianta você fazer pose de machão e esquecer de tratar um pouco melhor aquela que daria o mundo por você? Ela não te enche o saco, meu amigo, ela se importa demais com você. Perceba isso. Um dia, ela pode cansar, sentir a necessidade de ter alguém melhor ao lado dela e vai buscar isso fora de livros de romance.

Libertem-se! A mulher pode ser independente e mostrar porque lutaram e queimaram os sutiãs lá na praça anos atrás... mas elas, e eu também, gostamos de nos sentir protegidas, gostamos de algo que demonstre o que você realmente sente. Surpreenda-a, como ela às vezes faz com você. Saia dessa pose, mostre-se verdadeira e amorosamente. Ela é muito mais do que aquela que você diz que "só é minha namorada/mulher, só me enche o saco".

14 de abril de 2013

Dias doces



Estava chovendo. Meu cabelo bagunçado, meu pijama amarrotado. Aquela angústia ainda estava presente. Palavras ditas, palavras jogadas, palavras que não eram daquele contexto vagavam em minha mente. A constante pergunta era o “por quê?”. Por que estamos assim? 

Lembranças de um sábado qualquer, daqueles que íamos a qualquer lugar, e passávamos curtindo um ao outro, vêm a tona. Nada importava. Nem dinheiro, nem carro, nem as pessoas. Muito menos os problemas, e olha, eles nunca foram poucos ou pequenos. Nos contentávamos com pouco, muito pouco. Um pacote de bolacha Passatempo e uma garrafinha de Coca-Cola. Aqueles dias tinham um sabor doce.

Hoje, olhando essa chuva, naquele estado acabado, percebi que minha aparência revelava como eu me sentia por dentro: bagunça e falta de amor próprio. Percebi que muitos sonhos foram destroçados pela realidade, e que uma vida sem sonhos, não é uma vida. Perdi aquele brilho, perdi aquela vontade, aquela velha empolgação. Perdi a a vontade de fazer brincadeiras idiotas ou, então, agir como uma idiota e pensar “quem se importa? Eu sou feliz.”. Hoje, opiniões mudaram, competições cresceram, mas… será que vale a pena passar o dia dentro de uma competição besta? Passar o dia em pé de guerra por coisas tão simples? Vale a pena julgar as pessoas sem, ao menos, conhecê-las? Julgar que elas não são boas pessoas e que sempre, sempre, vão nos fazer algum mal?

O gosto amargo do café descia em minha garganta, e me dava forças para continuar, para encarar um dia que eu lutaria para ser diferente. Chega uma hora que precisamos tomar uma decisão. Chega uma hora que nossas vidas precisam ser domadas, e o destino mudado por nós mesmos. Eu faria de tudo para conseguir isso. Daria tudo para voltar naqueles sábados gelados de outono, quase inverno, andando por aí com fones e uma música boa; aquela brisa e sensação boa de liberdade.

Texto por Priscila Guerra.

19 de novembro de 2012

O livro é um objeto sensual


O desejo de ver está presente na leitura. A capa, a encadernação de um livro são sua roupa. Indicam um nome, um título, um pertencer (a casa editora) que se propõem ao olhar e o atraem.


Quando o livro está na estante de uma biblioteca, seu acesso é fácil para o olhar em busca de prazer; quando está posto na vitrine de uma livraria, esta barreira transparente aumenta nossa curiosidade. Entramos na livraria pra ‘dar uma olhada’. Exceto no caso em que já sabemos o que queremos e pedimos ao livreiro, não gostamos de ser perturbados em nossa inspeção. Fuçamos até que, atraídos por um vago indício, seguramos um livro. Aí começa o prazer, quando o abrimos, tocamos, folheamos, sondamos aqui e ali. Se o livro não está com as páginas cortadas, às vezes somos obrigados a fazer uma pequena acrobacia ocular para ler uma página pregada por cima ou pelo lado, pois é justamente aquela passagem que nos interessa.

Enfim, é preciso escolher. Se a promessa de prazer nos parece que vai poder ser mantida, pagamos o preço do livro e partimos abraçados com ele. Dependendo de se não nos desagrada mostrá-lo em nossa posse ou se algum pudor nos leva a esconder a sua identidade, o mostraremos nu ou embrulhado. Para ler, precisamos nos isolar com o livro – em público ou em particular – e às vezes em lugares bem estranho e a priori pouco propícios a este tipo de exercício.

O que nos leva a ler? A busca de um prazer pela introjeção visual que satisfaz uma curiosidade.

***

Texto extraído de: André Green. Literatura e psicanálise: a desligação. In: Luiz Costa Lima (Org.). Teoria da literatura em suas fontes. 3. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2002. p. 233-234.
(O título “O livro é um objeto sensual” não consta no original).

7 de novembro de 2012

Pedreiro desempregado mantém biblioteca de 40 mil livros

"Depois de um dia de trabalho, Evando encontrou uma pilha de cerca de 50 livros. Ao levar os livros para casa, surgiu a ideia de criar uma biblioteca comunitária"



"Uma das maiores felicidades do pedreiro Evando dos Santos, 52, é a biblioteca comunitária Tobias Barreto de Meneses. Fruto do seu esforço pessoal, a instituição tem mais de 40 mil livros.

No entanto, a biblioteca virou uma dor de cabeça constante. A realidade de Evando é levantar cedo todos os dias para receber as pessoas e manter limpo o espaço. Tudo sozinho. Semanalmente ele lava os 280 metros quadrados do prédio dividido em três andares.

Para os custos com água e energia elétrica Evando conta com a ajuda financeira de amigos e da mulher, Maria José, companheira em seu sonho. “Eu me contagiei pelo entusiasmo do Evando. Eu era alérgica à poeira, mas essa alegria dele me fez não sentir mais nada. A biblioteca é um presente de Deus para nós”, afirmou.

Evando lamenta não ter dinheiro para enviar 3500 livros para a construção de bibliotecas comunitárias no interior da Bahia e de Pernambuco. Ou para oferecer cursos gratuitos utilizando as duas salas de aula, com 50 lugares cada uma.

Mas o homem de “intelecto lapidado”, como ele costuma dizer, não desiste do projeto. “Às vezes eu quero desanimar. Sem dinheiro, desempregado, mais duro que um coco. Mais uma voz me vem na memória e me diz ‘levanta!’ Eu, um nada, fiquei uma hora na casa do maior arquiteto do mundo, Oscar Niemeyer. Lembro da minha mãe, das medalhas. Homenageado pela Academia Brasileira de Letras pela escritora Nélida Piñon. Aí eu sacudo a poeira e, como uma águia, renovo as forças e fico a voar no mundo das ideias, criando, inventando e indo para a prática”, definiu.

Sem “burrocracia”
Criada em 1998, na Vila da Penha, subúrbio do rio de Janeiro, a Biblioteca Comunitária Tobias Barreto de Meneses tem mais de 40 mil livros e funciona em um prédio próprio, desenhado pelo renomado arquiteto Oscar Niemeyer.

Nessa biblioteca, as regras para o empréstimo são simples: o leitor preenche um cadastro e pode ficar com o volume pelo tempo que achar necessário. “Se a pessoa não devolve o livro é porque precisa”, diz Evando dos Santos.

Cheio de orgulho, Evando diz que esse era seu sonho: uma biblioteca sem “burrocracia”, funcionando de domingo à domingo. Segundo ele, com livros que não se encontram na Biblioteca Nacional. Exemplo disso é uma gramática da língua bunda que era a falada pelos escravos."

Conforme a história de Evando foi ficando conhecida, as doações foram aumentando. Os livros, em maioria, eram colocados na garagem da humilde casa na Vila da Penha. Ele calcula ter reunido mais de 40 mil livros tornando a Tobias Barreto de Meneses, a maior biblioteca comunitária do país. 

5 de novembro de 2012

Brasileiro não gosta de ler?

"A meninada precisa ser seduzida. Ler pode ser divertido e interessante, pode entusiasmar, distrair e dar prazer."



"Não é a primeira vez que falo nesse assunto, o da quantidade assustadora de analfabetos deste nosso Brasil. Não sei bem a cifra oficial, e não acredito muito em cifras oficiais. Primeiro, precisa ser esclarecida a questão do que é analfabetismo. E, para mim, alfabetizado não é quem assina o nome, talvez embaixo de um documento, mas quem assina um documento que conseguiu ler e... entender. A imensa maioria dos ditos meramente alfabetizados não está nessa lista, portanto são analfabetos – um dado melancólico para qualquer país civilizado. Nem sempre um povo leitor interessa a um governo (falo de algum país ficcional), pois quem lê é informado, e vai votar com relativa lucidez. Ler e escrever faz parte de ser gente.

Sempre fui de muito ler, não por virtude, mas porque em nossa casa livro era um objeto cotidiano, como o pão e o leite. Lembro de minhas avós de livro na mão quando não estavam lidando na casa. Minha cama de menina e mocinha era embutida em prateleiras. Criança insone, meu conforto nas noites intermináveis era acender o abajur, estender a mão, e ali estavam os meus amigos. Algumas vezes acordei minha mãe esquecendo a hora e dando risadas com a boneca Emília, de Monteiro Lobato, meu ídolo em criança: fazia mil artes e todo mundo achava graça.

E a escola não conseguiu estragar esse meu amor pelas histórias e pelas palavras. Digo isso com um pouco de ironia, mas sem nenhuma depreciação ao excelente colégio onde estudei, quando criança e adolescente, que muito me preparou para o mundo maior que eu conheceria saindo de minha cidadezinha aos 18 anos. Falo da impropriedade, que talvez exista até hoje (e que não era culpa das escolas, mas dos programas educacionais), de fazer adolescentes ler os clássicos brasileiros, os românticos, seja o que for, quando eles ainda nem têm o prazer da leitura. Qualquer menino ou menina se assusta ao ler Macedo, Alencar e outros: vai achar enfadonho, não vai entender, não vai se entusiasmar. Para mim esses programas cometem um pecado básico e fatal, afastando da leitura estudantes ainda imaturos.

Como ler é um hábito raro entre nós, e a meninada chega ao colégio achando livro uma coisa quase esquisita, e leitura uma chatice, talvez ela precise ser seduzida: percebendo que ler pode ser divertido, interessante, pode entusiasmar, distrair, dar prazer. Eu sugiro crônicas, pois temos grandes cronistas no Brasil, a começar por Rubem Braga e Paulo Mendes Campos, além dos vivos como Verissimo e outros tantos. Além disso, cada um deve descobrir o que gosta de ler, e vai gostar, talvez, pela vida afora. Não é preciso que todos amem os clássicos nem apreciem romance ou poesia. Há quem goste de ler sobre esportes, explorações, viagens, astronáutica ou astronomia, história, artes, computação, seja o que for.

O que é preciso é ler. Revista serve, jornal é ótimo, qualquer coisa que nos faça exercitar esse órgão tão esquecido: o cérebro. Lendo a gente aprende até sem sentir, cresce, fica mais poderoso e mais forte como indivíduo, mais integrado no mundo, mais curioso, mais ligado. Mas para isso é preciso, primeiro, alfabetizar-se, e não só lá pelo ensino médio, como ainda ocorre. Os primeiros anos são fundamentais não apenas por serem os primeiros, mas por construírem a base do que seremos, faremos e aprenderemos depois. Ali nasce a atitude em relação ao nosso lugar no mundo, escolhas pessoais e profissionais, pela vida afora. Por isso, esses primeiros anos, em que se aprende a ler e a escrever, deviam ser estimulantes, firmes, fortes e eficientes (não perversamente severos). Já se faz um grande trabalho de leitura em muitas escolas. Mas, naquelas em que com 9 ou 10 anos o aluno ainda não usa com naturalidade a língua materna, pouco se pode esperar. E não há como se queixar depois, com a eterna reclamação de que brasileiro não gosta de ler: essa porta nem lhe foi aberta." (Lya Luft)

21 de setembro de 2012

A função perversa dos contos de fadas

Pat, engenheira de 34 anos, separada, chegou ao meu consultório e foi logo dizendo: “Não aguento mais ter que arranjar dinheiro para pagar as contas e resolver tudo na minha vida. Estou buscando um marido que me proteja, cuide de mim e me sustente. Minha filha, no seu aniversário de seis anos, pediu uma festa com o tema de Cinderela. Ela até se vestiu dessa forma. Assim é bom, porque ela já vai se acostumando com a ideia de que é importante procurar um homem bem diferente do pai dela, que não tem dinheiro. Quando ficar maior, mesmo que tenha uma profissão, espero que se case com alguém que a proteja e garanta seu sustento.”


Não tenho dúvidas de que os contos de fadas são prejudiciais às crianças. Mas será que pais e professores se dão conta disso? Será que percebem quais tipos de ideias estão passando para as crianças, subliminarmente, por meio desses contos? Cinderela, Branca de Neve, Bela Adormecida. Modelos de heroínas românticas, que, ao contrário do que se poderia imaginar, no que diz respeito ao amor, ainda são parecidas com muitas mulheres de hoje. Mas isso não é à toa.
Desde a Antiguidade as mulheres detinham um saber próprio, transmitido de geração em geração: faziam partos, cultivavam ervas medicinais, curavam doentes. Na Idade Média seus conhecimentos se aprofundaram e elas se tornaram uma ameaça. Não só ao poder médico que surgia, como também do ponto de vista político, por participar das revoltas camponesas. Com a “caça às bruxas”, no século XVI, 85% dos acusados de feitiçaria eram mulheres. Milhares delas foram executadas, na maior parte das vezes queimadas vivas.

Segundo os manuais usados pelos inquisidores, é pela sexualidade que o demônio se apropria do corpo e da alma dos homens, dominando-os através do controle e da manipulação dos atos sexuais. Não foi assim que Adão pecou? Como as mulheres estão essencialmente ligadas à sexualidade, elas se tornam agentes do demônio (as feiticeiras). Rose Marie Muraro na introdução do livro “O martelo das feiticeiras”, escrito por dois inquisidores em 1484, chama a atenção para um detalhe importante: “eram consideradas feiticeiras as mulheres orgásticas e ambiciosas, as que ainda não tinham a sexualidade normatizada e procuravam se impor no domínio público exclusivo aos homens.”


Final para Branca de Neve foi feliz, ao lado do príncipe em um castelo.
A partir daí podemos entender melhor como as mulheres e as personagens femininas das histórias infantis foram se tornando passivas, submissas, dóceis e assexuadas. Em “Cinderela”, “Branca de Neve” e “A Bela Adormecida” existem algumas mulheres que até fazem mágicas, mas a mensagem central não é a do poder feminino, e sim da impotência da mulher. O homem, ao contrário, é poderoso. Não só dirige todo o reino, como também tem o poder mágico de despertar a heroína do sono profundo com um simples beijo. Além da incompetência de lutar por si própria, comum às principais heroínas, Cinderela é enaltecida por ser explorada dia e noite, trabalhando sem reclamar e sem se rebelar contra as injustiças. Padece e chora em silêncio. Seu comportamento sofrido, parte do treinamento para se tornar a esposa submissa ideal, é recompensado: seu pé cabe direitinho no sapato e ela se casa com o príncipe.

No entanto, o mais grave nos contos de fadas é a ideia de que as mulheres só podem ser salvas da miséria ou melhorar de vida por meio da relação com um homem. As meninas vão aprendendo, então, a ter fantasias de salvamento, em vez de desenvolver suas próprias capacidades e talentos. As heroínas das histórias estão sempre ansiosas em fazer o máximo para agradar ao homem, ser como ele deseja, e acreditam que adequar seu corpo à expectativa dele é fundamental. Não se esqueça de que Cinderela e todas as moças do reino tentam se ajustar ao sapatinho encontrado pelo príncipe — a madrasta orienta as filhas a cortar um pedaço do pé para corresponder ao que o homem espera delas.
A historiadora americana Riane Eisler afirma que “essas histórias incutem nas mentes das meninas um roteiro feminino no qual lhes ensinam a ver seus corpos como bens de comércio para conseguirem pegar não um sujeito comum, mas um príncipe, status e riqueza. Em última análise a mensagem dos ‘inocentes’ contos de fadas, como Cinderela, é que não somente as prostitutas, mas todas as mulheres devem negociar seu corpo com homens de muitos recursos.”
Em vez de desenvolver suas próprias potencialidades e buscar relações onde haja uma troca afetiva e sexual, em nível de igualdade com o parceiro, muitas mulheres se limitam a continuar fazendo tudo para encontrar o príncipe encantado.

AUTORA: Regina Navarro Lins (no twitter @reginanavarro) é psicanalista, escritora e autora de dez livros.  Ex-professora de psicologia do Departamento de Comunicação Social da PUC-Rio, foi a criadora da cadeira de Dinâmica de grupo. Durante dois anos e meio apresentou um programa diário sobre sexo na Rádio Cidade. Foi, por oito anos, colunista do Jornal do Brasil, no Jornal da Tarde e atualmente assina uma coluna no jornal O Dia. Realizou mais de duzentas palestras e workshops sobre amor, casamento e sexo em várias cidades do país. Trabalha em seu consultório particular em terapia individual e de casais.



Sobre a Autora:
Priscila Guerra
Priscila. 20 anos. Mora em São Carlos - SP. Estudante de Linguística na UFScar. Fã de Green Day e McFly. Chata, impulsiva, neurótica, alegre, boba, feliz, criativa, desligada, teimosa, ciumenta. Blogueira, aspirante à escritora. Devoradora de livros. Colecionadora de CDs, All Star, lapiseiras.

13 de dezembro de 2011

Essa vida de gordinha...

Pois é. Voltei pra academia. Com as férias aí, é claro que eu queria ficar o dia todo na internet e ficar naquele ócio até dizer chega (pera, acho que já faço isso... enfim...). Ah, sabe, é uma delícia nesse calor gostoso de amostra do inferno, você sair da sua casinha e rumar até a academia - a pé, diga-se de passagem - e se matar na esteira e bicicleta.. mas espera, essa é só o aquecimento! Abdominais, exercícios para as coxas, para a coluna, para a bunda, para o peito, para o cabelo, para a unha do dedão do pé...
Mas uma das razões as quais eu voltei pra academia é porque fiquei um ano sem fazer NADA. Literalmente. Eu acordava e ia comer, e sentava na mesa do computador e ficava até chegar a tarde, que era o horário da minha aula. Ia de carro para a faculdade, que é um lugar que parece uma floresta, e claro, tinha que andar, mas não era muita coisa... mas, eu chegava na sala de aula morrendo! Enfim, nisso, eu acabei engordando, não estilo "OH MEU DEUS, ENGORDEI 30 QUILOS EM UM MÊS", mas alguns quilinhos que foram suficiente pra me deixarem paranoica... como qualquer mulher. Aí já viu, né, as roupas ficando apertadas, calças aumentando de numeração... mau humor reinando. Mas o X da questão, se é que tem, é que eu como boa gordinha, sempre, sempre gostei de comer. E claro, comer porcarias. Sou daquelas que não vive sem refrigerante durantes as refeições, que troca o jantar por um fast-food, e que, como vício, não pode ver um doce e muito menos um chocolate na frente. Quando vejo, puff, comi.
Nessa contexto, vivem me perguntando de que adianta fazer academia se eu não faço uma dieta para "obter os resultado". Não faço dieta porque eu odeio. Imagina passar uma tarde sem poder tomar um suco de maracujá e comer um pão de queijo quentinho? Mas nunca que eu troco isso pra 4 copos de água gelada. Eu faço academia, não para ficar magra, mesmo porque não me vejo magra, e seguir os padrões de beleza idiotas. Sim, pra poder comer sem culpa depois, sem sair do controle com meu peso atual. Afinal, um X-bacon no meio da semana, faz muito bem, de vez em quando. :)